As Aventuras de Nando & Pezão

"Dona Mirandinha"

Capítulo 2 – Uma Noite de Terror

— Nando, você ainda está aí? — Grita Pezão ao telefone.

— Hã? Estou, cara, eu estava aqui falando com os meus botões. Continua.

— Porra, cara, eu nem consegui dormir esta noite depois do que aconteceu.

— Caralho, Pezão, que suspense é este? Conta logo o que aconteceu!

---------------------------------------------

— Então, cara, o bagulho foi o seguinte .... eu tive um pesadelo horrível. Na verdade foi um pesadelo erótico.

— O quê? Pesadelo erótico? Caralho, isso existe? Se é erótico como pode ser um pesadelo? Ah, já sei, você sonhou com um negão de 2 metros entubando o croquete em você? Hahahaha ..... Então não foi pesadelo, você gosta.

— Nando, enfia o dedo no cu e morre, seu porra. Não teve negão nenhum no meu sonho. Sai fora! 

— Sei lá então, como foi este pesadelo? Seu pau caiu no vaso? Uma vez eu sonhei com isso e quase tive um ataque do coração. Acordei apavorado. Por sorte o meu pau não estava no vaso. Havia outra coisa, um puta cocozão que eu tinha feito na noite anterior. Puta merda, acho que foi o cheiro que me fez ter aqueles pesadelos todos.

— Porra, você não me deixa contar o pesadelo!

— Conta logo, Pezão! Você enrola muito, caralho!

— Eu sonhei que estava sendo chupado.

— No pau? Um boquete?

— Claro, seu idiota. Onde mais?

— Porra, e isso é pesadelo? Eu adoraria ter uns pesadelos assim todas as noites. Mas.... chupado por quem?

— Este é o problema. Era a maldita véia.

— Dona Mirandinha? 

— Sim, a própria.

Puta merda. Levei um puta tombo da cama. Ri pra caralho. Hahahaha....

— Porra, Nando! Você ri porque não foi com você, cara. A pior parte eu ainda não contei.

— Puta merda! Não me diga que você chupou o cu da véia? Isso sim é pesadelo! Hahahaha .....

— Cara, eu acordei apavorado e ....

Silêncio no telefone. Oloko! Pezão bateu as botas?

— Pezão, o que houve? Ainda está aí?

— Estou. Porra, nunca fiquei tão arrepiado assim. Cara, estou mais branco que aquele albino que estudou com a gente no colegial.

— Caralho. Continua, cara. Você disse que acordou e... o que houve?

— Meu, eu senti a boca da véia chupando o meu pau.

— O quê? Não entendi. Você acordou e continuou sentindo a boca da véia no seu pau?

— Sim. Puta merda, cara! Foi a sensação mais apavorante que já senti até hoje.

— Ah, vai tomar no seu cu, Pezão! Hoje não é 1° de Abril. Vai contar esta estorinha ridícula pra outro. 

— Porra, Nando! Estou falando a verdade, caralho! Eu juro! Foi horripilante. Durou mais ou menos uns 10 segundos. Depois ejaculei na garganta da véia.

Eu não sabia se dava risada ou vomitava de nojo. Acabei não fazendo nenhuma das duas. Apenas continuei segurando o telefone, com cara de idiota.

— Nando, se eu estou mentindo como você explica o sumiço da porra?

— Hã? Puta merda, Pezão. Eu estou cagando e andando pra onde foi parar a sua porra. Sei lá, meu! Putz, que nojo! Nem vou tomar café hoje.

— A porra sumiu porque a véia engoliu. Cara, eu estou falando a verdade.

— Já procurou a porra no seu ouvido? — Hahaha... lembram do filme?

— Idiota, aquilo só acontece no cinema. Como a porra do cara iria parar no ouvido e ele nem perceber?

— Porra, Pezão! Você me acordou só pra me dizer que acordou ejaculado? Isso acontece com todo mundo, é normal.

— Cara, o que aconteceu comigo não teve nada de normal. Eu fui chupado por uma alma penada. E o que é pior, uma alma penada velha.

— Putz! Você acredita mesmo que o fantasma da véia voltou só pra te fazer uma chupetinha?

— Claro que sim. A velha não negava pra ninguém que gostava de mim. Quem garante que o último desejo dela era pagar um boquetinho pro gostosão aqui?

— Pezão, você matou a véia. Se eu fosse ela teria cortado o seu pau durante a noite.

— Pois é, cara. Mas estou falando a verdade. Acredite ou não, o fantasma da véia esteve aqui no meu quarto nesta madrugada. Putz! Fiquei arrepiado novamente.

— Eu teria me cagado de medo. Esse lance de assombração não é comigo.

— Eu me caguei todo também, cara. Logo depois de ejacular na garganta da véia alma penada eu corri pra privada e bati um barrão muito louco. Caguei colorido. Tinha merda verde, abóbora, laranja ... Caguei o arco-íris todo. Muito estranho. Nunca fiquei tão apavorado em toda a minha vida.

— Putz! Garanto que o cheiro espantou o fantasma da véia pra sempre. Fique sossegado.

Pezão riu.

— Cara, nem acredito que estou rindo. Passei a pior noite da minha vida.

— Pezão, você vai ficar famoso, cara! Já imaginou você contando sua história lá no programa do Ratinho? Hahahaha .... Título: "Rapaz recebe boquete do além".

— Vai se foder!

— Mas... diz aí... foi bom?

— O quê, cara?

— O boquete da véia. Foi bom?

— Nem tanto. O da sua mãe foi melhor.

— Enfia o dedo no cu e assopra, filho da puta!

Pezão é meu brother, mas eu juro que um dia eu ainda mato este desgraçado filho de uma puta.

 

Era só o que faltava, o fantasma de Dona Mirandinha assombrando o Pezão. Ah, bem feito. Tomara que a véia atormente a vida dele pra sempre. Porra, mas que diabos eu estou falando? Eu nem acredito em fantasmas! Vocês já repararam que os fantasmas do filmes são sempre iguais? Todos escolhem uma família pra azucrinar. Derrubam quadros, balançam cortinas, batem portas, puxam correntes, etc... Puta merda, isso é ridículo. Se eu fosse fantasma eu não faria nada disso, eu iria procurar um banheiro feminino pra ficar espiando a mulherada tomando banho. Simples. Quer vida melhor do que esta? Não ter que se preocupar com colégio, trabalho, etc... Oh, coisa boa! Será que fantasma pode bater punheta? Está aí outro mistério misterioso do infinito misterioso.

 

Agora mudando completamente de assunto ... muita gente me perguntou o que aconteceu com a Ruthinha. Bom, terminamos. Não teve outro jeito, o Hitler não me deixava em paz. O cara me odiava. Até agora eu não entendi o motivo deste ódio todo. Só porque me flagrou transando com a Ruthinha no sofá da sala? Porra, se algum dia eu flagrar minha filha trepando com o namorado na minha sala eu não vou.... Puta merda! Ele tem razão em me odiar. Até hoje eu tenho a sensação de que ele me segue por aí. Acho melhor ficar esperto ou vou acabar com a boca cheia de formiga numa valeta. O cara leva jeito pra serial killer. Pelo menos cara ele já tem. Eu, hein! Vou sentir saudades da Ruthinha. Tão bonita, tão inteligente, tão meiga, e é claro, tinha os peitinhos tão durinhos!!! Coisa de louco! Transamos umas 5 vezes. Mas uma eu neguei fogo. Ah, mas eu não tive culpa! Sem querer eu liguei a televisão do motel e estava passando um documentário sobre a Segunda Guerra Mundial no canal GNT. Nem preciso dizer quem apareceu fazendo um discurso para suas tropas, preciso? Como eu iria me concentrar? Mesmo com os olhos fechados eu via o Hitler peladão ali na cama! Assim não há pinto que levante, né? Hummm... Você ficou excitado ao imaginar o Hitler peladão na sua cama? Xiiiiiii ... Você camufla.

 

Algumas semanas após o telefonema ridículo sobre a chupeta fantasmagórica....

Din Don!!! Din Don!!! A campainha toca. O quê? Não é "Din Don" o barulho correto? Ah, foda-se. O da minha campainha é assim e pronto.

Puta merda, tomara que não seja pra mim. Odeio quando me chamam no portão e estou no banheiro cagando. É horrível, não? Principalmente quando é a namorada. Não tem coisa pior que você deixar a namorada te esperando na sala enquanto bate aquele barrão no vaso. Pior ainda quando você deixa o banheiro completamente detonado. Tem vezes que o maldito cheiro de carniça toma conta da casa inteira. Putz! Tomara que não seja pra mim! Tomara que não seja pra mim! Tomara....

— Nando, estão te chamando no portão! — grita minha mãe.

— Que bosta!

— O que você disse?

— Eu já vou! Pede para esperarem um pouco. Quem é?

— É o Pezão. O que você está fazendo aí?

Puta merda! Só me faltava essa. O que mais eu estaria fazendo? Ah, sei, entendi. Mas vocês acham que eu admitiria? Não, né? E você?

— Estou em reunião com os empresários da minha subsidiária em Nova Iorque! — A melhor forma de fazer a pessoa se tocar é fazer isso. Fale algo absurdo.

— Hã?

Pois é, mas ás vezes não funciona. Aí você precisa apelar:

— Pô, mãe, to cagando!!!

— Ah, sei.

Porra, o que será que o Pezão quer? Pra ele vir até aqui pessoalmente deve ser alguma notícia muito boa ou muito ruim. É sempre assim, o filho da puta só toca minha campainha pra contar desgraça ou dizer que comeu uma mina muito gostosa. Tomara que desta vez não seja pra nenhuma das duas. Puta merda, será que o fantasma da véia voltou a atacar? Hahahaha ... Que bobagem, fantasmas não existem. Pezão deve ter tomado todas naquela noite e acabou levando uma outra Jurumina pra cama. Com certeza foi isso.

Deixo o banheiro e lá está ele, Pezão todo esparramado no sofá da sala. Maldito cara folgado.

— Barrão a esta hora da tarde, cara? — gritou ele. — O que você comeu?

— Não é da sua conta, cara.

— Puta merda, cara! Fecha esta porta aí! Nossa! Você comeu carniça?

Sorte que minha mãe estava lá no quintal. Ela odeia palavrões dentro de casa.

— Vai se foder! — eu disse. — Vamos lá pra fora.

Pezão tinha razão. O fudum ali dentro não estava dos melhores. Putz!

— Você vai matar todo mundo aí dentro, meu! — Pezão continuou pagando pau.

Motrei meu dedo perfumado pra ele.

— O que você veio me contar, Pezão? Desembucha!

— Cara, tenho uma boa notícia!

— É mesmo? Você vai se mudar daqui? Ótima notícia!

— Que nada! Você sentiria a minha falta. Só não tem coragem pra admitir isso.

Putz! O filho da puta tem razão. Brother é brother. Filho da puta ou não.

Pezão meteu a mão no bolso e retirou um molho de chaves. Ergueu na altura dos meus olhos e começou a balançá-las.

— Sabe o que é isso aqui? — perguntou ele.

— Um monte de chave velha.

— Sim, mas sabe de onde são estas chaves?

— Não tenho a menor idéia.

De repente Pezão começou a chupar seu polegar lentamente.

— Que diabos você está fazendo? Espere um pouco. Acho que entendi. Dona Mirandinha? — Puta merda, nunca vi ninguém imitar uma chupeta tão mal assim.

— Caralho, você é devagar, hein! É claro, porra! 

— Mas o que você está fazendo com as chaves da casa da velha?

— A casa pertence a minha mãe, lembra?

— Lembro, é claro. Mas ela não vai alugar pra outra pessoa? Puta merda, não me diga que ela deu a casa pra você?

— Porra, bem que ela poderia fazer isso, né? Já imaginou ter meu próprio motel? Uhuuuuu!

— Então ela não te deu a casa?

— Não, mas pediu pra eu tomar conta enquanto ela não aluga. Disse que eu poderia dormir lá algumas noites pra evitar os olhos gordos dos ladrões.

— Porra, você veio aqui só pra me contar isso?

— Não, cara, eu vim pra te dizer que agora podemos realizar aquele nosso sonho antigo. Lembra?

Sonho antigo? Porra, que mané sonho antigo é este? Esperem um pouco, deixe-me puxar pela memória ... eu sempre tive vários sonhos...

1) Ficar invisível e olhar a minha vizinha tomando banho pelada;

2) Ser bilionário e poder ficar jogando Playstation o dia inteirinho;

3) Comer as duas Sheilas ao mesmo tempo;

4) Colocar todos os pagodeiros num avião e enviá-los para uma ilha deserta;

5) Fazer um gol na final da Copa do Mundo no último minuto do segundo tempo da prorrogação.

... e muitos outros ...

— Nando, você está dormindo? Acorda, cara!

— Hã? Foi gol?

— Que gol? Acorda! Eu estava te dizendo sobre podermos realizar aquele nosso sonho. Porra, vai ser muito foda!

— Caralho, Pezão! Mas que diabo de sonho é este que você está falando? Do jeito que você fala parece até coisa de gay!

— Puta merda, cara! Esqueceu? Aquele nosso sonho de fazermos ...