As Aventuras de Nando & Pezão

“Me Perdoa, Margareth”

Capítulo 5 – Henrietta

Sim, é ele mesmo: Timóteo, ou simplesmente Tim, o gordinho peçonhento. Lembram dele, né? Primo da Margareth, chegado em coisas bizarras. Antes um moleque, agora um pré-adolescente, a cara estampada com incontáveis espinhas, seus cabelos ruivos caindo sobre os olhos — a porra virou Emo? — , cresceu mais para os lados do que para cima. Incrível como ele me faz lembrar demais do saudoso Mamute.

Ele abriu o portão e deu um abraço-surpresa no Pezão. Este ficou paralisado.

— Quanto tempo, cara! — disse Tim, abrindo um sorriso ingênuo e sincero.

— Você está mais gordo — disse Pezão, seu jeito sutil de ser.

— Mais apetitoso, você quis dizer.

— Não. Mais gordo mesmo.

Desci do carro para dar um abraço no gordinho.

— E aí, beleja? — perguntei, enquanto seus bracinhos fofos me contornavam.

— Nando, que saudade de você, cara!

— Cadê a sua prima? — perguntou Pezão impaciente.

— Ah, ela saiu para comprar macarrão. Volta já.

—  Ela vai fazer macarronada para mim? Eu adoro a macarronada dela!

Os olhos do nosso amigo brilharam como poucas vezes eu vi. E senti Pezão com voz de remorso? Uau, parece que ele realmente tem sentimentos.

De repente alguém finalmente deu o ar de sua graça:

— Aeeeeeeee! — gritou Bel, olhos fixos no Pezão. — Ganhei a aposta, mané!

— Que aposta? — disse Tim. — E quem é ela?

Fodeu. Se a Margareth souber da aposta vai pegar mal.

— Esta é a Bel — falei, abrindo a porta do carro para ela. — Estamos ficando.

— Nossa! — disse Tim, fazendo uma cara de espanto.

Bel desceu do carro me encarando por cima dos óculos. Seus olhos são lindos demais, parecem ter sido pintados por um artista.

— Ficando? — ela disse, franzindo a testa. — Ah é, sou a ficante, quaaaaaaase me esqueci.

Ufa! Acho que ela embarcou na brincadeira. Se fosse a “outra” Bel eu até arriscaria um beijo, mesmo que fosse só na bochecha, mas com a versão atual seria suicídio.

Tim se aproximou de mim e sussurrou no meu ouvido:

— Ela é a garota mais acachapante que eu já vi na minha vida, cara! — e por fim deu um soco no meu ombro. — Seu sortudo de uma figa!

— Vai demorar muito pra sair essa macarronada? — disse Bel.

— Vocês estão com fome? — disse Tim. — Vamos entrar, vocês aceitam uma xícara de chá com rosquinhas?

— Eu aceito! — é lógico que ela aceita.

O gordinho ficou olhando para a Bel, fascinado, parecia um cão vira-latas admirando aquelas máquinas de assar frango, as famosas TVs para cachorro. Eu tenho uma leve impressão de que ele se apaixonou por ela. Ou está salvando imagens dela em sua mente para bater uma punheta mais tarde.  Eu fazia isso com as mães gostosas dos meus amigos na minha pré-adolescência. Fica aqui um alerta para as leitoras gostosas: se algum amigo (ou qualquer outro cara) fica te olhando de forma obcecada, pode ser que ele esteja fazendo exatamente isso.

— Eu sou o Tim — disse ele para a Bel, oferecendo-lhe a mão direita. Eles se cumprimentaram — Você é muito gata!

— E você é cheio de espinhas — retrucou ela.

Ao invés do garoto ficar chateado com o que ela disse, ele apenas sorriu de um jeito bobo. Acho que gamou mesmo.


Caímos para dentro da casa, que parecia ser bem maior por dentro do que aparentava ser pelo lado de fora. A sala era estreita, porém comprida. Para onde você olhava tinha um vaso com flores que eu nunca vi na vida. O lugar tem um cheiro adocicado bem enjoativo, aposto que tem um incenso aceso em algum cômodo próximo. Todos os móveis são de demolição e tem uma aparência medieval, muito bonitos. Nunca vi um sofá com madeiras tão grossas. A única coisa que ficou meio fora de tom foram as cortinas vermelhas, passa a sensação de que a qualquer momento vai entrar uma cartomante para dizer tudo o que você quer ouvir e tirar até o último centavo do seu bolso.

Na TV (de tubo) um casal de babuínos fazia sexo em cima de uma árvore. Logo fomos atraídos pela imagem, como ímãs. Tim dá um sorrisinho para nós e diz:

— Adoro como os animais fornicam o dia todo. Já fornicou em cima de uma árvore, Bel?

Soltei uma gargalhada rápida. Bel olhou para mim e disse:

— Esse gordo espinhento tem muitos problemas.

Tim sorriu, depois entrou por um corredor ainda mais estreito que a sala. A planta dessa casa deve ser bem esquisita.

Sentamos os três num mesmo sofá. O móvel tinha as almofadas mais confortáveis do mundo, senti uma vontade de me deitar e dormir até as duas horas da tarde de amanhã.

— Não tem com trocar de canal? — disse Bel. — Esses macacos tarados estão me irritando.

— Concordo — falei. — Ninguém consegue segurar uma ereção por tanto tempo.

— Eu consigo — disse Pezão, levantando a mão.

— Só que não — disse Bel. — E que mania ridícula é essa de ficar levantando a mão ao dizer as coisas? É algum tique nervoso?

De repente o gordinho voltou segurando uma bandeja com uma xícara e um pote de vidro cheio de guloseimas. Por um instante eu pensei que os olhos da Bel saltariam para fora das órbitas, como num desenho animado.

— Não temos pão — disse Tim. — Mas minha mãe faz umas roscas maravilhosas.

— Essa aí come até pedra, gordo — disse Pezão.

Bel tentou dar um peteleco na orelha dele, mas dessa vez ele foi rápido e conseguiu colocar a mão em cima e se proteger.

— Por que você nunca me chama pelo nome? — disse Tim para o Pezão. — Isso é bullying, sabia?

Pezão deu de ombros.

— Já te chamei de coisas piores — ele disse.

Enquanto isso, Bel já pegava sua quarta rosquinha do pote, eu contei.

— A rosquinha da sua mãe é incrível! — disse ela, e mandou mais uma para dentro.

— Ahã — concordou Tim. — Eu disse, né?

Vi nos olhos do Pezão que ele ia fazer uma piadinha. Não deu outra, ele disse:

— Então todo mundo gosta da rosca da sua mãe?

— Ahã — Tim nem percebeu a piada.

Pezão riu e enfiou a mão no pote, pegando uma rosquinha também.

— Vamos ver se a rosca da sua mãe é boa mesmo.

— Você é um idiota — disse Bel com a boca cheia, voou pedaço de rosca por toda a sala.

Para diminuir a tensão que crescia, decidi mudar o assunto.

— Você e a sua prima moram sozinhos? — perguntei para o Tim, e aproveitei para experimentar a tal da rosquinha. Meu, que porra é essa? Deliciosa, com todo o respeito.

— Não — Tim respondeu, depois se ajeitou numa poltrona de frente para nós. — Moramos com a minha mãe. Ela já deve estar chegando também.

— Sua mãe deve ter muito dinheiro — disse Bel. — Esses seus móveis são caríssimos. Valem mais do que a porcaria dessa casa.

— Rica ela não é, mamãe não se importa muito com dinheiro. Ela valoriza outras coisas. Ela é a mulher mais acachapante de todas.

Bel ficou encarando o moleque, a testa frisada, depois disse:

— Acachapante? Que porra de palavra é essa?

— Quando ela entrar por aquela porta você vai entender.


Barulho no portão lá fora, alguém chegou.

Será a tal da mulher mais acachapante de todas? Não, era a Margareth. Empurrava uma bicicleta com uma mão e segurava uma sacola de supermercado com a outra. Estava gostosa como sempre. Vestia uma camiseta amarela, um shortinho jeans tão curto quanto o que a Bel usou hoje mais cedo, e sandálias de salto alto. Se descalça ela já é enorme, imaginem agora, parecia uma modelo de passarela. Se Pezão pisar na bola com ela novamente eu mesmo bato nele. Será que ele não percebe o quão sortudo ele é?

— Oi — disse ela.

Acenamos para ela. Pezão ficou de pé, olhando para as pernas da namorada.

— Você foi ao supermercado assim? — ele disse.

— Ahã. Por quê?

— Pelada desse jeito? Aposto que dá pra ver até uma lasca da sua bunda.

Margareth encostou a bicicleta na parede e deu uma voltinha de 360 graus. Infelizmente não deu para ver uma lasca da sua bunda, mas confesso que faltou pouco..

— Jura que você veio até aqui para implicar com as minhas roupas? — disse Margareth. — Se for assim ...

Pezão agiu rápido, agarrou a namorada pela cintura e a beijou. Sobrou língua pra tudo que é lado, e até mão na bunda eu vi. De repente os babuínos na TV perderam até a graça.

— Não tem Motel nesse fim de mundo? — disse Bel, segurando a última rosquinha do pote. Caralho, ela já comeu tudo?

Foi instantâneo, Margareth apertou o botão STOP nos amassos e olhou para a Bel, dizendo:

— Quem é você mesmo?

— Sou a Bel — e olhou para mim, apontando o dedo indicador. — A ficante dele.

Margareth sorriu para mim e disse:

— Gostei dela.

— É um amorzinho — falei.


Se a sala já era bem diferente, a cozinha não ficou para trás.

Em volta dela toda havia centenas de potes, todos devidamente etiquetados. A maioria com nomes que eu nunca ouvi falar, como ALMÍSCAR, ARTEMISIA, HIPERICÃO e outros. O cheiro ali era diferente, menos enjoativo, talvez tenhamos nos distanciado do incenso, finalmente. Mais um minuto naquela sala e eu vomitaria.

Pezão e Margareth iniciaram uma DR civilizada perto da pia, enquanto o restante se sentou em volta de uma mesa belíssima. O móvel parece ter saído da cozinha de um Hobbit, toda entalhada com desenhos e uma escrita que eu não consegui identificar.

Tim não tirava os olhos de cima da Bel. Notei que ela estava ficando puta da vida com isso. Antes que ela estourasse e desse alguma merda, resolvi iniciar uma conversa:

— Seus pais são separados? — perguntei para o gordinho.

— Meu pai morreu, cara. Esqueceu? Ele e a minha irmã caçula sofreram um acidente num parque de diversões.

— Que sinistro. Sinto muito.

— Caíram de uma roda gigante.

— Puta merda, é sério?

— Ahã, seus corpos ficaram espalhados pelo chão do parque em vários pedacinhos. Teve gente que ...

— TIMÓTEO! — gritou Margareth por cima dos ombros. — Já deu, né?

De repente uma voz ecoou do corredor até a cozinha. Uma voz belíssima, diga-se de passagem. Ela disse:

— Que cheiro maravilhoso é esse, crianças?

Os olhos de Tim brilharam. Ele abriu um largo sorriso para nós e disse:

— Mamãe chegou.

Não sei se foi apenas impressão minha, mas senti o clima da casa mudar, e para melhor. Não sei como explicar isso, mas eu senti.

A mulher entrou na cozinha como uma diva, parecia a Ivete Sangalo subindo num trio elétrico em Salvador. Logo que ela nos viu, abriu um belo sorriso, como se já soubesse que estávamos ali. Acho que todos ficamos olhando para ela de queixo caído, pelo menos eu fiquei. Ela é bem mais nova do que eu imaginava, chutando alto uns 40 anos, mas deve ter menos. Magra, alta, elegante. A pele clara, sem rugas ou pés de galinha. Seu rosto tem formas meio quadradas, mas é belíssimo, as sobrancelhas são mais grossas do que estou acostumado a ver por aí, mas bem cuidadas, seus olhos são grandes e carismáticos, cor de mel, lindos. Seus lábios são grossos e no momento estão sem batom. Os cabelos são negros, longos e estão trançados num rabo de cavalo de fazer inveja em muitas cabeleireiras profissionais. Veste preto da cabeça aos pés, numa elegância impecável.

Vou ser bem honesto com vocês, se tropeçar na grande área eu apito e coloco na marca da cal.

— Você é adotado, né? — disse Bel para Tim.

— Não — respondeu o gordinho, todo sorrisos. — , mas não me importaria nem um pouco se fosse. Amo esta mulher — ele olhava para a mãe com uma devoção incrível. —  Pessoal, esta é Henrietta, minha mãe. Linda, única, a perfeição da natureza, e é claro, acachapante!

O sorriso que Henrietta nos ofereceu foi tão perfeito que parecia comercial de pasta de dente.

Bel continuou sua linha de raciocínio, dizendo:

— Mas ela é tão linda e você …

A mulher de preto a interrompeu:

— Meu filho é lindo — ela disse com tanta convicção que eu acreditei nela.

— Se a senhora acha … — Bel disse.

Henrietta lançou um olhar raio laser para a Bel. Os olhos da mulher são grandes e impõem respeito. Até eu fiquei assustado. Putz, vai dar merda.

— Sinto algo estranho em você, mocinha — disse Henrietta. — Você se sente bem?

— Tirando a minha barriga que não para de roncar, está tudo ótimo.

— O jantar já está quase pronto — disse Margareth.

— É aquela sua famosa macarronada? — disse a tia, curtindo o aroma de molho no ar.

— Sim! Faz tempo que não faço, né? Foi a única herança deixada pela minha mãe.

— Que delícia! — e o rosto de Henrietta mudou, ela encarou os olhos do Pezão. — Criou vergonha nessa cara e veio visitar a namorada, Maurício?

— Sim, senhora.

Sim, senhora? Como assim? Nosso amigo paga um pau para a tia da Margareth?

Agora Henrietta olhou para mim. A mulher tem uma presença intimidadora mesmo, eu preciso admitir. Seus olhos grandes me encarando com atenção, como se estivessem lendo o último capítulo de um livro bom. Fiquei arrepiado. E  ligeiramente excitado, admito.

— Você é o famoso Nando? — ela disse.

Fiquei de pé para cumprimentá-la.

— Famoso eu não sei, mas sou o Nando — e apertei a mão dela.

Quase tomei choque, eu juro. E percebi que ela também sentiu algo. Bom? Ruim?

— Você é muito espirituoso — ela disse. — Pessoas assim são sempre bem-vindas em minha humilde residência.

— Obrigado.

Tim também se levantou e deu um beijo na testa da mãe. Ela lhe retribuiu o beijo da mesma maneira. Bonita a relação dos dois.

— E você, mocinha — disse Henrietta para Bel. — , está em desequilíbrio total com essa casa. — E correu os olhos pelos potes etiquetados.

— Desequilíbrio? — resmungou Bel. — Do que você está falando? Não me amola.


Henrietta deu a volta em toda a cozinha recolhendo potes, empilhando uns sobre os outros, num equilíbrio espetacular. Será que ela já trabalhou no circo?

— O que ela pensa que está fazendo? — perguntou Bel para mim.

Dei de ombros.

— Mamãe prepara os melhores chás — disse Tim, sentando à mesa novamente.

— Não quero porra de chá nenhum! — Bel resmungou. — Quero comer, estou faminta.

— Gula! — disse Henrietta, de costas para nós. — Tem isso também.

— Gula é o teu cu!

Caralho, eu não acredito que ela disse isso. Ficou um silêncio constrangedor na cozinha. Todos pararam de respirar.  Tenso.

Henrietta ficou imóvel por alguns instantes, respirou fundo, depois disse calmamente:

— Vai dar trabalho, mas a noite é só uma criança.


E a macarronada finalmente ficou pronta. Linda, suculenta, com molho caseiro, fresquinho. É uma pena que vocês, pobres leitores, não possam sentir o cheiro maravilhoso. Um cheiro tão bom que abafou totalmente os malditos incensos.

Enquanto avançávamos sobre a macarronada feito leões sobre uma zebra manca, Henrietta ainda procurava por novos potes. Parecia obcecada, nem olhava para nós.

— Vem jantar, tia! — disse Margareth, já devidamente sentada e de prato arrumado. — Depois você resolve isso.

— Já estou indo, querida — respondeu Henrietta com sua voz doce.

— Não vou conseguir esperar por você, mamãe — disse Tim. — O cheiro está bom demais. Tudo bem?

— Comam, crianças, comam!


E foi exatamente o que fizemos.

Comemos. E como comemos! Eu repeti três vezes, só perdi para a Bel, é claro.  Agora eu me pergunto: para onde vai toda essa comida? Ela só foi ao banheiro uma vez. Seria necessário um exército de lombrigas para dar conta de tudo o que ela comeu só no dia de hoje.

Quase não sobrou macarronada para a dona da casa. Se Margareth não fosse esperta e separasse um pouco dentro do forno, nossa amiga Magali, quero dizer Bel, teria faturado também.

De repente Henrietta solta um grito de satisfação:

— Consegui!

Despejou um líquido cor de guaraná numa belíssima xícara de porcelana e trouxe para a mesa. Depositou a xícara lentamente na frente da Bel e disse:

— É pra você, Mirabel.

Bel ficou irritada. Novidade, né?

— E desde quando se toma chá após uma macarronada? — ela disse. E afastou a xícara para longe dela. — Não vou tomar essa porcaria!

— Não seja estúpida, garota! — disse Margareth, indignada. — Minha tia perdeu o jantar só para lhe preparar este chá.

— Perdeu porque quis! Eu pedi, por acaso?

Vi nos olhos de Margareth que a vontade dela era socar a cara da Bel, mas a namorada do Pezão contou até 10 e se conteve.

— Tome o chá, Bel — falei o mais gentil que consegui.

— Toma você então!

— Não — disse Henrietta, calma feito um monge tibetano — Eu fiz especialmente para você, querida.

Todos os olhares estavam voltados para a neta favorita da Dona Mirtes. Notei que ela estava ficando vermelha, só não sei se de raiva ou de vergonha.

— Se eu tomar um gole dessa porcaria vocês me deixam em paz?

Todos assentiram em silêncio.

Bel fez uma careta, pegou a xícara, hesitou por alguns instantes, mas enfim tomou um gole.

— Até que é gostoso — disse ela, um pouco mais calma. — O que você colocou nisso aqui?

Henrietta sorriu para ela, enquanto alisava o próprio queixo com o polegar e o dedo indicador. Depois disse:

— Isso não importa. O que realmente importa é que você vai se sentir bem melhor quando esta xícara estiver vazia. Confie em mim.

E num segundo gole ela tomou todo o conteúdo da xícara. Incrível como o rosto dela mudou quase que de imediato. Sorria feito uma criança que viu a mãe na porta do colégio esperando por ela.

— Por que estão todos olhando para mim? — ela perguntou, colocando a xícara vazia sobre a mesa.

— Como se sente, Mirabel? — perguntou Henrietta, enquanto abria o forno para pegar o que sobrou da macarronada.

— Nossa, eu me sinto ótima, pareço até mais leve!

Porra, depois de tudo o que ela comeu? Chazinho milagroso, hein!

— A nuvem negra que estava em você desapareceu — disse Henrietta.

— Nuvem negra? — perguntou Bel, franzindo a testa.

Henrietta passou por nós com o seu prato de macarronada. O cheiro ainda estava delicioso. Ela respondeu:

— Assim que eu entrei em casa percebi que tinha alguém num desequilíbrio total com o ambiente. Tinha uma … nuvem negra sobre você. Às vezes eu vejo isso nas pessoas. Quando o coração da pessoa é bom, uma combinação certa de ervas resolvem, mas se o coração já estiver corrompido, aí é bemmmmm mais complicado.

Bel estava chorando.

— Nem sei o que dizer — ela disse. — Muito obrigada.

Incrível como até a sua voz voltou ao normal.

Henrietta finalmente pôde comer seu prato de macarronada, sob os olhares fascinados de todos nós.  A mãe do Tim é acachapante mesmo.