As Aventuras de Nando & Pezão

“O Pai da Magareth”

Capítulo 11 – Jezebel e Mirabel

Nunca vi o cara me olhar daquele jeito. Tirei o moletom e joguei na grama. Pezão ficou me encarando.

— O que foi? — falei, rindo.

— Você vai mesmo entrar na água?

— Vou, claro.

— Beleza então — ele saiu bufando, parecia um touro raivoso.

— Aonde ele pensa que vai? — gritou Margareth.

— Sei lá, o namorado é teu.

E mergulhei no rio. Ou lago, sei lá. O importante é que tem bastante água.

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E aí, cambada, tudo certo com vocês?

Quem sou eu? Porra, o Pezão! Isso mesmo, hoje quem vai tomar conta dessa birosca sou eu. Espero que o Nando morra afogado naquele lago maldito.

Não gosto muito de ler, muito menos de escrever, mas vou tentar. Não deve ser nada do outro mundo. Até o babaca do Nando consegue, né?

Bom, não sei como funciona esta porra. Ele vai contando tudo o que acontece com a gente? Sério? Puta que pariu, que merda! Então vocês devem saber praticamente tudo da minha vida, porra! Ubatuba não, né? Aí suja o nosso lado.

Voltei para o carro, muito puto. Realmente não sei o que fazer. Estou com tanta raiva daquele cuzão! A minha vontade é voltar lá e encher o Nando de porrada.

Acho que já sei o que fazer, vou dar uma volta. Dirigir me deixa mais calmo.

Dei a partida. O carro engasgou. Porra! Vou tentar de novo. Agora sim, a merda ligou. Vamos lá.

Nunca peguei uma estrada tão morta como esta. Você não vê carro, não vê gente, não vê porra alguma! Que raio de lugar é este, caralho? Será que estamos no caminho certo? Acho que o infeliz do meu irmão aprontou mais uma. Só pode ser isso.

Peidei. Puta merda, que cheiro é este? Maldita comida de duendes. Eu juro que ...

Caralho, o que é aquilo? Estão vendo? Porra, é claro que vocês não estão vendo, né? Esqueci. Mandei mal agora. Porra, é a minha primeira vez! Mas eu pego o jeito.

Parei o carro. Qualquer um de vocês pararia também. No acostamento tem uma loira de quase dois metros de altura. Gostosa pra caralho!!!!!!!!!

— Olá! — falei pra gostosa.

— Oi! 

— Precisando de carona?

— Sim, sim! Muito obrigada!

Abri a porta para a gostosa. Bom, acho que não preciso ficar repetindo que ela é gostosa, né? Acho que vocês já perceberam.

Ela não entrou.

— Por que não entra? Tem alguma bagagem? Quer que eu ajude?

— Obrigada, não tenho bagagem.

— Então entra! — e sorri. Acho que ela está com medo de mim, sei lá!

Porra, será que o carro ainda está com o cheiro do meu peido? Não, acho que não. Os vidros estavam abertos, ele já deve ter ido embora.

De repente vi um gordo sair de trás de uma moita. A loira acenou para ele e gritou:

— Consegui carona!

Puuuuuuuuuuuuuuuuuuuuta que pariu!!! Ah, tomar no cu! Fala sério, porra! A loira está de sacanagem comigo, né? Não acredito nisso.

— Desculpa fazer você esperar — disse a loira. — Meu marido estava meio apertado e ...

Já entendi — falei, puto.

Meu, puta que pariu, como é que uma loira maravilhosa como esta foi casar com aquele Shrek? É sério, o gordo parece o Shrek. Se pintar de verde fica igualzinho.

— Pronto, já caguei — disse o Shrek para a Fiona. Quero dizer, loira gostosa.

Deu pra ouvir o som de um beijo. Puta merda, que nojo! Tomar no cu, loira! Você é cega, porra? Vai ter mau gosto assim lá na casa do caralho!

Foi um puta sacrifício para o Shrek entrar no carro. Pelo menos um lado positivo, ele ficou lá no banco de trás. Também, com aquela bunda enorme, era o único lugar possível. A loira ficou do meu lado. O nome dela é Jezebel e do gordo não importa, pois vou chamá-lo de Shrek mesmo.

Vocês devem estar curiosos para saber como é a gostosa, né? Tudo bem, seus punheteiros de merda, vou descrevê-la para vocês. Usei a palavra certa? Descrevê-la? Porra, to pegando o jeito da coisa, hein! Eu sabia que era molezinha.

Não sei se Jezebel percebeu, mas eu dei uma bela secada nela antes de ligar o carro. Fala sério, ela é muito gata! A loira parece atriz pornô de filme sueco. Seus cabelos loiros são compridos e bem lisos. Sua pele é bem clarinha. Seus olhos são azuis. O nariz é bonitinho, bem pequeno e arrebitado. Sua boca é pequena, mas eu aposto que faz um boquetão gostoso. Ela não usa brinco e tem pouca maquiagem no rosto. Acho que só passou um pouco de batom, sei lá. Agora a melhor parte ... os peitões! Puta que pariu, que peitões! Eu daria qualquer coisa pra chupar aqueles melões. 

Caralho, é normal ficar excitado durante a narração da história? Ah, foda-se! Estou de pau duro sim, e daí? Não tenho culpa se a loira é gostosa pra caralho. Garanto que tem muito marmanjo correndo para o banheiro neste exato momento.

Bom, acho que só faltou comentar as pernas e a bunda, certo? As pernas são compridas e meio secas. Para ser bem honesto, prefiro coxas grossas. A bunda eu não pude ver muito bem, mas parece ser meio sequinha também. Mas eu comeria! Bundinha seca é legal pra pegar de quatro.

Não preciso descrever as roupas também, né? Acho bobagem, isso aqui não é desfile de moda, caralho! Tudo o que vocês precisam saber é que a loira é bonitona e gostosa. Pronto. Se não acreditarem em mim, não posso fazer nada.

Ela bateu a porta do carro e olhou para mim, sorrindo.

— Você foi um anjo que caiu do céu — disse a gostosa.

— Anjo, eu? — comecei a rir. — Já me chamaram de tudo nesta vida, mas anjo é a primeira vez. E a loira me olhou de um jeito que ... Ela quer dar pra mim.

— Você está indo pra onde? — perguntou Jezebel.

— Pouso Alegre.

— Sério? Que maravilha! Nós também! — e a loira ficou de joelhos no banco, para falar com o Shrek. — Ele está indo pra Pouso Alegre!

— Jóia — disse o gordo, sem muita empolgação.

— Falta muito para chegarmos lá? — perguntei pra loira.

— De trator o meu pai levava umas três horas, mais ou menos.

— Bom, acho que o meu carro anda um pouco mais rápido que o trator do seu pai, né?

— Acho que sim.

E ficamos rindo feito idiotas.

Querem saber? Vou fazer uma surpresa pra Ma. Vou buscar o pai dela em Pouso Alegre e levá-lo até ela. Que tal?

Dei a partida no carro e saí queimando os pneus. Isso sempre impressiona a mulherada, elas adoram.

Meu, a loira é cheirosa demais. Não é possível que ela seja casada com o Shrek ali atrás. Bom, rico o cara não deve ser, pois não estariam aqui pegando carona. Vai ver o cara tem meio metro de pau.

— O que vocês vão fazer lá em Pouso Alegre? — puxei assunto.

— Assinar os papéis do nosso divórcio.

Ah, agora sim as coisas começam a fazer mais sentido nessa porra. Ela vai largar o Shrek!

— Certo. Vocês estão casados há quanto tempo?

— Mês que vem completaríamos 10 anos juntos.

— Dez anos? Puta que pariu!

A loira começou a rir.

— Você falou nome feio — disse ela, rindo feito uma menininha.

— Que nome feio? Puta que pariu?

E a loira caiu na gargalhada outra vez.

— Vocês não falam palavrão por aqui? — perguntei.

— Este aí não.

— Ah, ta. Desculpa então.

— Tudo bem. Mas antes de dormir você se desculpa com Papai do Céu, né?

— O quê? Ah, sim, claro.

— Legal. Você é um menino bonzinho.

Porra, é impressão minha ou a loira é uma mulher com cérebro de criança? Tem alguma coisa bem esquisita.

De repente a loira começou a cantar ...

— La la la la la la la la la la la!!!

Puta que pariu, muito bizarro! Olhei para o lado e vi a loira toda encolhida no banco, com o dedão na boca, imitando uma chupeta. Vocês devem achar que estou zoando, mas é sério! A loira imita uma criança direitinho.

— Daqui a pouco ela para — disse o gordo.

— Ela tem algum problema?

— O doutor falou que ela tem uma tal de dupra pessoa na idade.

— Dupla personalidade?

— Isso! É isso mesmo aí que o senhor falou. O senhor também é do ramo das medicina?

— O quê?

E a loira começou a chorar e chutar o painel do meu carro.

— Cadê meu chocolate? — gritava ela, feito uma maluca. — Eu quero meu chocolate!

Não tive outra opção a não ser encostar o carro.

— Calma, calma! — falei pra loira biruta, e segurei suas pernas, para que ela parasse de chutar o painel.

— Você disse que ia me comprar chocolate! Eu quero agora! Agora! Agora! Eu quero!

— Eu te disse isso? Quando?

— Você disse sim. Disse, disse, disse, disse e disse! Você prometeu que ia comprar!

Olhei para o Shrek lá atrás e perguntei:

— O que eu faço?

— Fica frio, a Mirabel sempre foi mimada assim mesmo.

— Mirabel? Que porra de Mirabel? O nome dela não é Jezebel?

— Jezebel é a metade adulta. Esta é a Mirabel. Ela tem 7 anos.

Puta merda, é a tal da dupla personalidade? São duas pessoas dentro de uma só?

Olhei para o lado e vi a loira me olhando, meio assustada.

— Por que paramos? — disse ela. — Aconteceu alguma coisa?

Pelo tom de voz, acho que ela voltou ao normal. Fiquei sem saber o que responder.

— Você conheceu a Mirabel, né? — disse ela, meio envergonhada.

Balancei a cabeça, indicando que sim.

— Desculpa! Você deve estar arrependido de dar carona pra gente, né?

E Jezebel começou a chorar, com as mãos no rosto.

— Fica calma — falei. — Não me arrependi não. Está tudo bem.

Liguei o carro novamente e prosseguimos viagem. Ficamos em silêncio por alguns minutos.

— Ela queria chocolate — falei, pra quebrar o gelo.

— Aquela putinha só come besteira! — disse Jezebel, bem irritada. — Aí eu tenho que me matar em ginástica depois.

— Você tem um corpo lindo — e olhei pelo retrovisor. — Com todo o respeito.

— Fica frio, cara — disse o Shrek. — Falta a papelada, mas na verdade já estamos separados há muito tempo. Não é, Je?

A loira só balançou a cabeça. Senti ela bem abatida.

— Você é tão nova! — falei. — Como pode estar casada há tanto tempo assim?

— Eu tinha só 15 anos quando nos casamos.

— Caralho, tá explicado então. Quinze anos! Praticamente uma criança.

— Sim, o doutor me disse que foi exatamente por isso que a Mirabel apareceu.

— Acho que entendi. Como você não teve infância, a menina ...

— La la la la la la la la la la la!!! Cadê meu chocolate, hein?

Porra, de novo? Vai tomar no cu!