As Aventuras de Nando & Pezão

"O Show do Rappa"

Último Capítulo – O Show Acabou. E Agora?

Com o saco, a bunda e todo o resto doloridos, voltei para o ponto onde eu deixara Mamute. Este, nem preciso dizer, estava às gargalhadas. Seu monte de banha chacoalhava feito um pudim de leite condensado. Maldito Mamute do inferno. 

— Caralho, mano! — disse ele, rindo. — Você está parecendo aquele personagem.... O Coisa!

— É, eu vou mostrar a minha coisa pra você ... ó.

— Você gritou tanto que eu pensei que o Macaco Virgem tinha pego você por trás e.... crau! Bem no meio do redondo.

— As putas daquelas formigas fizeram pior. Eu tenho a sensação de que algumas delas ainda estão andando lá dentro do meu cu. Sei lá.

Mamute olhou para o seu relógio. Incrível como eu só o notei agora.

— Quase 3h, cara!

— O show já deve estar acabando. Precisamos achar logo o carro do Pezão.

— Puta merda! Já imaginou a multidão que vai sair do clube? Vamos pagar o maior mico de nossas vidas.

— A gente se esconde, foda-se. Pior que Ubatuba não vai ser.

— Puta merda, é mesmo. Pior não pode ser.

Mamute levantou o bundão gordo do chão frio e começamos a caminhar em direção ao estacionamento do clube. Este, por sorte, nada mais é do que um puta terreno abandonado. Sem muro ou portão. O único problema vai ser chegar até lá sem pagar muito mico. Vai ser difícil. Imagine dois marmanjos de cueca e tênis caminhando no meio do mato. Bom, se você é gay deve estar imaginando um conto erótico. Mas pra mim, é ridículo até o máximo da ridicularidade ridícula. Resumindo: é o fim do mundo. Porém eu estou contando até os segundos para ver esta porra desta noite ir embora. Eu daria qualquer coisa para ter aquele aparelhinho apagador de memória do filme Homens de Preto. Lembra? TOIN!!! E pronto. Nova memória e tudo mais. Mas como eu já repeti várias vezes .... isso aqui não é Hollywood. Aqui é a vida real, onde as merdas acontecem e não tem diretor dizendo "Corta!" no final. 

Enquanto eu prosseguia com meus pensamentos profundos.... Mamute me interrompe:

— Puta merda, Nando! Eu já te contei que vi o Silvester Stallone de pertinho lá em Nova Iorque?

Ignoro ou deixo o papo rolar? Ah, já estou fodido mesmo.

— Grande bosta. Eu queria conhecer a Sharon Stone. Puta gostosona ela.

— Ele estava atravessando a rua. Eu cheguei na janela da loja onde eu estava com uma galera e gritei "Ei, Raaaaaaaaaambo!!!"

— Puta merda! Você fez isso? Tu é muito babaca mesmo, Mamute. Puta merda. E o que ele fez?

— Acredita que fez a mesma coisa que a Jennifer? Disse uns Fãquiu Fãquiu pra mim... sei lá. Rambo cuzão. Se eu assistir os filmes novamente vou torcer pros russos acertarem o rabo dele com uma bazuca.

Estávamos bem próximos do estacionamento. Foi quando eu ouvi um carro se aproximar pelo acostamento da estrada. Putz! Começou a diminuir a velocidade. Olho para trás ou não? Caralho, que mico! Eu com a bunda praticamente à mostra caminhando ao lado de um cara com a cueca do Mickey no acostamento. Pode acontecer coisa pior? Sim, pode...

— Caralho, galera, é o Nando e o Mamute!!! — Putz! Eu conheço esta voz.

— Vai se foder, Joana! — gritou Mamute.

Meu, Joana é simplesmente a mina mais fofoqueira que eu já conheci em toda a minha vida. A mina era minha vizinha. Sabia da vida do bairro inteirinho. Acho que ela soube que eu perdi a minha virgindade antes de mim. Sério. O Leão Lobo e o Nelson Rubens precisam se aposentar logo, pois em breve eles terão uma concorrente filha da puta. E ela é filha da puta mesmo. Não duvidem.

Olhei para o lado e lá estava ela, Joana Ela e mais uma penca dentro de um Escort Preto. Pelas minhas contas tinha uns 7 ou 8 dentro do carro. Ou estavam vindo de uma suruba ou estava indo para uma suruba. Sei lá.

— Quem diria, hein! — disse ela, com sua voz irritante. E neste exato momento estava 10 vezes mais irritante. — Nando e Mamute fazendo amor dotoso no matinho.

O quê? Eu vou mandar esta filha da puta pra casa do caralho! E vai ser agora!

— Vai se foder, Joana! Sai fora, meu! 

A galera dentro do carro caiu na gargalhada. A agitação foi tanta que o motorista quase foi esmagado, batendo o corpo contra a buzina. Esta disparou por alguns segundos.

— Fomos... assaltados! — eu disse. Se eu me conheço bem, devo estar mais vermelho que um pimentão neste momento, num somatório de raiva e vergonha.

— Ah, sim, e o que estavam fazendo aqui no matagal antes do assalto?

Puta merda. A minha vontade agora é de pegar um pedaço de pau que vi jogado ali no mato e enterrar no cu desta vaca. Estou a ponto de explodir. Mas tudo que consegui fazer foi mostrar meu belo dedo bem esticadinho pra ela.

— E que negócio preto é este na sua boca, Nando? Comeu cocô?

— Cala esta boca e ajuda a gente, caralho! — disse Mamute. Finalmente algo construtivo saiu da boca desta baleia inútil.

— Ah, sim, com todo o prazer. — disse Joana. Será que ela disse mesmo isso? Não acredito. Joana olhou para a galera do carro e gritou: — Vamos colaborar com os dois! Alguém aí tem VASELINA!!!

Todos caíram na gargalhada, e o Escort partiu lentamente.

— Tchau, Nando! — gritou Joana, com o cabeção esticado pra fora. — A galera da rua vai adorar saber do seu namorado!

Sincronizados, eu e Mamute mostramos nossos dedos esticados pra ela. Incrível, mesmo se combinássemos fazer aquilo nunca conseguiríamos.

— Fodeu, cara. — disse Mamute. — Fodeu legal mesmo. O que esta vaca espalha o fedor fica por muitos anos. Lembra do Pintolho?

— O Luisinho Pintolho? Claro.

Bom, eu sei, mas acho que vocês não conhecem. No primeiro ano de colégio a nossa "amiguinha" Joana espalhou pra todo mundo que um dos caras do 2°B possuía uma pequena deformação genética no seu pênis. Será que eu consigo terminar a estória sem dar risada? Putz! Então, Joana espalhou que Luís, ou Luisinho para os íntimos, tinha um terceiro olho. Sim, e que este terceiro olho ficava no pinto. Você pode achar engraçado agora, mas a estória se espalhou com tamanha rapidez que em todos os lugares só se falavam de um assunto: Luisinho Pintolho. O cara foi tão humilhado, mas tão humilhado que foi obrigado a deixar a cidade. Sei lá onde ele está agora, só sei que foi pra bem longe daqui. Ás vezes eu até me pergunto, será que ele realmente tinha um olho no pau? Imagine só que estranho. Eu comendo a garota e podendo olhar dentro da pixirica dela ao mesmo tempo. Meu, que irado seria isso, hein!!! Além disso eu poderia levar colinha das provas dentro da cueca! Eu poderia ver tudo sem a professora saber de nada. Cara, já estou começando a ter inveja do Luisinho. Eu também quero um olho no meu pau!!!

Comecei a rir.

— Não ri, não, cara! — disse Mamute, sério. — A partir de amanhã seremos conhecidos na cidade como Rosa e Rosinha. É isso que você quer?

Parei de rir imediatamente. Caralho, Mamute tem razão. Aquela vaca da Joana tem a boca mais maldita que já vi. O que ela fala pega. Mas...

— Um problema por vez, Mamute. Já chegamos até aqui mesmo, agora é achar o carro do Pezão e grudar nele até aquele filho da puta sair do show. Depois a gente pensa no que fazer com a Joana do inferno. 

Vocês já devem ter percebido que tenho o costume de inserir um "do inferno" aos nomes das pessoas quando estou nervoso. Já perceberam? Mamute do inferno. Pezão do inferno. Joana do inferno. Putz! Nem faço idéia de quando esta mania começou. É inexplicável. É como coçar o saco. Você faz e nem percebe. Simples. Na verdade a vida é simples, a gente é que complica muito. Ah, e tem o Murphy também, é lógico. Dele é que eu tenho medo. Muito medo. Eu prefiro ver o coisa-ruim com uma puta foice nas mãos, pronto para cortar o meu pescoço. Pelo menos com o coisa-ruim você já sabe pra onde vai. Com o Murphy você nunca sabe pra onde vai. Por exemplo, você pode sair de casa para assistir ao Show do Rappa e de repente estar de cueca caminhando pelo acostamento de uma estrada. Na verdade, será que isso é Murphy ou carma ruim? Será que eu fiz algo de ruim numa outra vida e estou sendo castigado nesta? Será que eu fui Adolf Hitler numa vida passada? Caralho, eu acredito em reencarnação. Deve ser isso, eu devo ter aprontado um fodaréu dos infernos numa vida passada. Só pode ser isso. Ou será culpa do meu anjo da guarda? Sim, pode ser isso também, eu devo ter feito cocô na cabeça dele, sei lá. Ou devo ter comido alguma mina que ele gostava enquanto tomava conta de mim. Ah, dane-se! O importante é que o Gol vermelho com o adesivo "Bad Boy" está aqui do meu lado. Sim, chegamos ao estacionamento. Finalmente, sinto-me próximo de casa.

— Cara, que alívio. — eu disse, olhando para o meu molho de chaves repousado sobre o painel do Gol. — Coisinha fofa! Papai estava com saudades. 

Nem acredito que esqueci minhas chaves no carro. Murphy ás vezes falha e seu efeito acontece ao contrário. Estou certo? Sim, acho que estou. Caralho, Murphy nunca falha, do contrário não seria Murphy. Seria? Porra, fiquei até tonto.

Sentamos e nos encostamos na lateral do Gol. Mamute começou a chorar.

— Porra, eu quero a Jennifer! 

— Putz grila, cara! Vai começar tudo de novo? Esquece!

— Falar é fácil, cara. Sabia que a gente ia no Motel depois do show?

Caralho, imaginar o Mamute comendo a loira não seria uma boa imagem para se ter. Fiz de tudo pra não imaginar isso. Não consegui. Lembrei de um Cine Privet que passou semana passada. Maldito Cine Privet do inferno!!! Será que a Band não tem nada melhor pra passar? Putz! Pior que não. Ou é Cine Privet ou aqueles malditos filmes chineses do inferno. Puta merda! Mais trash do que aquilo... só Cine Sinistro.

— Esquenta não, Mamute. Há muitas loiras no mundo.

— Eu sei, mas a Jennifer era a única que queria dar pra mim.

Putz! Eu quase caí na gargalhada. Não sei por quais motivos não o fiz, afinal o Mamute quase teve um ataque de riso quando as formigas canibais me atacaram, não foi?

— É foda, mano. É foda. Mulher é foda. 

Putz! Papo de bêbado é foda!

— Bater punheta é foda, mas tem suas vantagens. Pelo menos a sua mão nunca te abandona. Está sempre ali pra você. Companheirona mesmo.

Caralho. Acho que estou bêbado. A frase do Mamute fez sentido pra mim.

— Mas mão é mão e pexeca é pexeca. — disse Mamute, quase dormindo encostado ao Gol.

Caralho, eu preciso gravar estas conversas de bêbado. Daria um bom livro de filosofia. A "Filosofia do Bebum". Acho que já existe este livro. Sei lá.

De repente alguém se aproxima:

— Ei, o que vocês estão fazendo aí? — Sim, era ele, o pirralho com o boné dos Bulls. Aquele mesmo que recebeu os 5 Reais do Pezão em troca de .....

— Saiam daí, suas bichinhas taradas! — gritou o pirralho. — Não quero ninguém sujando o carro do meu cliente!

— Dá um tempo, pirralho! Não está me reconhecendo? Eu sou amigo do dono deste carro e....

— Paaaaaaaaaaaaaai! — gritou o pirralho com toda a força. — Paaaaaaaai, corre aqui!

Caralho! Este pirralho é cego ou o quê? Só porque estou de cueca não posso estar tão diferente assim, porra!

— Sou eu, moleque! Posso provar. O dono deste carro estava com uma camisa verde, não estava? Ele lhe pagou 5 Reais para....

O pai do moleque apareceu. Ele e mais dois. Talvez os irmãos do moleque, sei lá. Só sei que todos eles estão com pedaços de pau na mão.

— O que aconteceu, filho? — gritou o pai.

— Estas duas bichas estavam arranhando o carro do cliente, pai!

— O quê? Dá um tempo, garoto! Eu sou amigo do dono do.....

— É melhor vocês correrem, suas bichas do caralho! — gritou um dos outros caras, vindo pra cima de mim e Mamute.

— Isso aí! — disse o pai. — Vamos dar um cassete nestas bichas!

Caralho! Não tem outra alternativa! Corremos como nunca corremos em nossas vidas! Mamute correu tanto ou até mais do que eu! Impressionante o que o medo faz. Mais da metade da sua bunda ficou pra fora da cueca, mas Mamute não se importava, corria e corria feito um condenado. Corremos em direção a estrada. Os três nos perseguiram por um bom tempo, mas não corriam com a mesma vontade que nós. Talvez a motivação não era a mesma, sei lá. O importante é que conseguimos escapar. Exaustos, suados, meio bêbados e de moral baixa. Não necessariamente nesta mesma ordem, mas foi assim que voltamos para a estrada escura. Fodidos, completamente fodidos. Eu devo ter jogado muita bosta no ventilador pra merecer isso. Por onde andará Pezão? Maldito. Por onde andará Lelê? Certamente aos amassos com algum carinha chapado, afinal de contas no escuro toda tribufu do inferno vira princesa.

Enquanto eu procurava uma saída pra sair do fodaréu que a minha noite se transformou.....

— Vem vindo um carro! — disse Mamute, animado.

— E você acha que alguém vai ter coragem de dar carona para dois caras de cueca no meio da noi.....

Incrível!!! O carro parou. Sim, parou! Não acredito! Um fusquinha vermelho.

— Vem, porra! — gritou Mamute. 

Eu fiquei atônito, não estava acreditando nos meus olhos. Uma carona! Uhuuu!

Corremos até o carro e o motorista abriu a porta para nós. Sentei-me no banco de trás e Mamute sentou-se ao lado do motorista. Não consegui ver direito a cara da figura, mas era homem.

Antes que o cara começasse a pensar bobagens a respeito de nós dois de cueca....

— Fomos assaltados, cara! — eu disse, demonstrando espanto com a voz. — Muito obrigado por ter parado.

— Que coisa, hein! — disse o motorista, engatando a primeira marcha. — Aonde vai parar este nosso mundo?

— Vai parar lá na puta que pariu. — disse Mamute, tentando ajeitar sua bunda gorda no banco do Fusca.

— Estão indo para o centro? — disse o motorista. Não sei, mas eu acho que conheço esta voz de algum lugar. Mas não conheço ninguém com Fusca vermelho.

— Sim. — disse Mamute. — Valeu mesmo, cara. O senhor caiu do céu.

O Fusca pegou no tranco. Cheguei até a pensar que ia morrer depois de engatar a segunda marcha, mas foi só um susto. A bagaça está andando, isso é o que importa. Não vejo a hora de chegar em casa. Putz! Vou acordar todo mundo ao tocar a campainha, a minha chave ficou no Gol do Pezão. Ou então eu durmo na casa do Mamute. Sei lá. Eu quero é esquecer tudo.

— Nós estávamos no show do Rappa. — disse Mamute para o Motorista.

— Ah, sei, era hoje? Nem fiquei sabendo.

Caraca! Eu conheço esta voz. Mas... de onde?

— Estava chapado de gente, meu. — eu disse. — Muito louco.

Notei o motorista olhando pra mim pelo pequenino espelho retrovisor. Não consegui reconhecer seus olhos. Acho que estou viajando na Maionese, não conheço o cara. A voz deve ser parecida com a de alguém, só isso.

O Fusca parece uma lesma. Vamos levar uma eternidade pra chegar em casa. Se estivéssemos com o Golzinho turbinado do Pezão já estaríamos bem distantes daqui. Mas... não adianta reclamar, né? 

Notei que do meu lado havia alguma coisa sobre o banco. Estava escuro, estiquei meu braço e o toquei de leve. Dei algumas apalpadelas e percebi o que era. Sim, um vestido. Vários anos me esfregando na mulherada serviram pra alguma coisa. Mas o que este vestido de mulher está fazendo aqui? Bom, provavelmente deve ser da namorada ou esposa do cara. Sim, deve ser isso.

O tempo foi passando, o Fusca ia andando feito uma tartaruga com artrite e nós três calados. Eu não estava gostando daquele clima. Começava a ficar embaraçoso.

De repente o cara quebra o silêncio:

— Quantos anos vocês têm?

— Vinte. — diz Mamute, com voz de sono.

— Dezenove. — eu respondo.

— Interessante.

Eu conheço esta voz, porra! Mas não consigo me lembrar de onde! Maldito cérebro do inferno, funciona!

O cara começou a diminuir ainda mais a velocidade do Fusca. Puta merda! O que será que houve? Agora ele virou o carro para a direita. Sim, ele vai parar o Fusca. Porra, não estou gostando disso!

— Aconteceu alguma coisa? — Eu perguntei, já assustado.

O cara não falou nada.

— Por quê está parando, meu? — Perguntou Mamute.

O Fusca parou. O motorista deu uma olhada rápida para os lados e começou a olhar para o Mamute.

— Tá olhando o quê, cara? — Gritou Mamute, nervoso.

— Aqui está bom? — disse o motorista.

— Do que você está falando, cara? — eu perguntei.

De repente eu vi o braço do cara fazer um movimento brusco em direção ao Mamute.

— Que porra é esta, cara? — gritou Mamute. — Tira a mão do meu pau!

Mamute empurrou o motorista contra o volante.

— Sai fora, seu filho da puta! Sai fora!

Puta merda! O cara meteu a mão no pau do Mamute? Eu, hein! Que nojo!

O cara tentou outra vez. Mamute repetiu o gesto, empurrou-o novamente. Agora com mais força. 

— Sai pra lá! Mas que bicha louca do caralho!

— Mas... eu pensei que era isso que vocês queriam! — disse o cara. 

Porra! Ele enlouqueceu? Eu quero chegar em casa! Só isso! 

— Vai se foder, cara! — eu gritei.

— Mas vocês não são os irmãos tarados Billy e Kiddy?

— Sai fora, mano! — gritou Mamute. — Billy e Kiddy o caralho! Vai se foder!

— Porra, que bosta! Já faz mais de um ano que eu dirijo por esta estrada e nunca fui atacada por eles!

Atacada? Nossa, bichinha assumida mesmo! Puta merda! Já sei quem é! É o traveco que estava em frente ao puteiro! Lembram? Aquele que tinha um 38 escondido na meia.

Mamute abriu a porta do Fusca e saiu.

— Dá um tempo! Eu não entro mais neste Fusca de gay. Prefiro ir a pé.

— Eu pensei que hoje seria a minha vez de ser estrupada por dois garotões gostosos como vocês! 

Empurrei o banco do Fusca com toda a força e saí feito um jato pela porta. Eu, hein! Esta bicha aí está armada! Lembram? Tô fora! 

— Vai dar a bunda em outro lugar, meu! — Eu disse, fechando a porta do Fusca na cara da bichona. — Eu é que não quero! E tem mais uma coisa... não é "estrupar", o correto é....

Percebi a bicha se abaixar.... Putz! Nem pensei duas vezes, saí correndo pro mato que tinha ao lado do acostamento e gritei para o Mamute:

— Corre, cara! Corre! Ele tem um 38. Corre, gordo do inferno! Corre!

Assim que me ouviu pronunciar "38" o Mamute correu feito um condenado. Suas banhas tremiam feito uma gelatina.

Entramos mato a dentro e ficamos escondidos. Eu tremia mais que máquina de lavar. Mamute se borrou todo. A bicha começou a gritar todos os palavrões possíveis e imagináveis. Alguns eu nunca ouvira em minha vida. Eu quase comecei a rir. Mas achei melhor não arriscar. Afinal ela está armada, não está? Passaram-se uns 2 ou 3 minutos e o motor do Fusca começou a funcionar novamente. Eu e Mamute voltamos a respirar aliviados.

— Caraca! Como você sabe que a bichona estava armada? Eu não vi porra de arma nenhuma não!

— Eu e o Pezão já topamos com este travecão antes. Acredite, ele estava armado.

— Como assim? — Mamute começou a rir. — Você e o Pezão...

— Sai fora, meu! Nada a ver. Outra hora eu conto como foi.

Ouvi o motor do Fusca bem longe. Voltamos para o acostamento. 

— O show já deve ter acabado. — eu disse. — Daqui a pouco vai passar alguém conhecido.

— Os piores são justamente estes. Vão pagar o maior pau da gente. Puta merda!

— Quer saber? Foda-se. Eu quero chegar em casa. Estou cagando e andando se vão pagar pau ou não. Eu quero minha cama!

De repente um farol iluminou a bunda gorda do Mamute. Sim, vem vindo alguém. Tomara que seja algum amigo meu vindo do show. Tomara!

Putz! Fodeu. O carro diminuiu a velocidade e parou ao nosso lado.

— Vocês dois novamente? Estão apaixonados, hein! 

Sim, é ela. Joana, a fofoqueira. Mas agora o Escort está mais vazio. Ela, o namorado e um casal no banco de trás.

— Vai se foder, Joana! — eu disse, mostrando o dedo para ela.

— Vocês precisam de um Motel. Este negócio de trepar no mato é ultrapassado!

Mamute ficou puto e deu uma bica no Escort. Nem preciso dizer que machucou o pé, preciso? O namorado da Joana ficou puto.

— Você é louco, cara? Gordo maluco do caralho!

Joana abriu um sorriso sarcástico. Eu odeio esta garota, mas .... eu estou no desespero. Vou tentar uma loucura.

— Tem espaço pra nós dois aí, Joana? — perguntei.

— Dá um tempo, cara! — gritou o namorado dela. — Não vou levar duas bichonas no meu carro não!

— Porra, eu não sou viado! 

— Nem eu! — disse Mamute, fazendo careta de dor por causa do chute.

Joana desceu do Escort e abaixou o encosto do banco onde ela estava sentada.

— Entrem. — disse ela. Milagre! Joana fazendo caridade? — Mas estamos indo pro Motel. De lá vocês pegam outra carona para o centro.

Tudo bem, já é alguma coisa. Entramos no Escort. O casal que ali estava ficou bem apertado no canto esquerdo. O bundão de Mamute tomou conta do banco. Foda-se. Se eu me lembro bem o Motel está perto.

O Escort começou a andar. 

— Eu não sabia que você era gay, Nando? — disse Joana.

— Puta merda! Eu não sou gay!

— Nem eu! Sai fora, Joana!

— E mesmo que eu fosse... você acha que eu ia trepar com uma baleia gorda como esta? Quem gosta de baleia é o Greenpeace.

A galera do carro caiu na gargalhada. Menos o Mamute, é claro. hahaha

Cinco minutos mais e chegamos ao Motel. Um lugarzinho sem-vergonha de vagabundo. Só as letras "O" e "L" ainda piscam. Já vim aqui uma vez, mas na época a letra "T" também piscava. Putz! Eu daria qualquer coisa pra voltar àquela noite. Foi a minha primeira transa com a Claudinha. Estávamos nos curtindo pra caralho. Bom, até ela encontrar o maldito vendedor de mamão papaia, né? Odeio mamão papaia!

O namorado de Joana desceu do Escort e ergueu o seu banco, o casal que estava espremido do meu lado saiu do carro também. Joana olhou para trás e disse:

— É isso aí, chegamos. Nós vamos brincar um pouco. — e sorriu. Porra, até que ela não é tão feia assim. Ou será a maquiagem? Sei lá.

O namorado dela esticou o pescoção para dentro do carro e disse:

— Vamos, galera, todo mundo pra fora. Não vou conseguir trepar sabendo que tem um casal de bichas no meu possante, né?

Possante? Fala sério! Um Escort meia-boca do caralho. Nem um som descente a bagaça tem! Deu vontade de rir.

— Deixa a gente ficar aqui, mano! — disse Mamute.

— Nós não somos viados não, cara. — eu disse. — Além disso a gente protege o possante pra você. Este lugar aqui é perigoso, sabia? Já roubaram uma CG de um amigo meu aqui. Pois é.

Deixei o cara assustado. Agora é ver se ele morde a isca. Enquanto isso Joana desceu do carro e fechou a porta.

— Puta merda, tudo bem. — Ele mordeu a isca! Uhuuu! — Mas tem uma coisa, se eu voltar e encontrar vocês dois fazendo troca-troca no meu possante eu mato vocês! Beleza? Vai ser bichinha pra tudo que é lado desta porra de estrada.

— Fique sossegado, cara. Vai lá dar sua metidinha boa. Esquenta com a gente não. Vamos ficar aqui tomando conta do possante. — Quase caí na gargalhada.

— Isso aí, mano. — disse Mamute. — Vai lá e mostra pra Joana que você é o bom. Dá uma por nóis.

O cara deu risada.

— Olha lá, hein! — disse ele, batendo a porta do Escort.

Fiz sinal de positivo pro cara. Babaca.

Os quatro começaram a caminhar até a recepção do Motel. Putz! Agora vamos ter de esperar os filhos da puta meterem. Eu mereço? Ah, foda-se. Melhor ficar sentado sossegado no banco de um Escort que ficar caminhando de cueca pelo acostamento da estrada. Não concordam?

— Caralho, a Joana tem uma cara de piranha. — disse Mamute. — Aquela lá deve gostar de serviço completo. Chupeta Russa até Helicóptero Mexicano.

— Chupeta Russa eu até conheço, mas qual é este outro aí que você disse?

— Helicóptero Mexicano. É legal, tinha uma namorada minha que gostava. Ela deita e você repousa o saco sobre a testa dela. Depois você....

— Ah, deixa pra lá! Não estou a fim de ouvir isso não.... deixa quieto.

— Cara, é de virar os olhos! 

— Chupeta Russa é muito bom também. A Ana Paula uma vez .....

O que aconteceu? Joana e seu namoradinho babaca estão voltando pro carro. Estão discutindo feio.

— Eu não estava olhando pra ela não, porra! — ouvi o babaca gritar.

— Não! Claro que não! Você só estava babando sobre o decote daquela piranha, só isso! — gritou Joana.

Os dois pararam em frente ao Escort.

— Pára com isso, Jô! Não inventa!

— Eu estou inventando? Ah, eu estou inventando, né? Cretino. E na minha frente!

O babaca ficou puto, esmurrou o Escort. Putz! Deve ter doído.

— Que barraco, cara! — sussurrou Mamute, e riu.

— Caralho, Jô! Não viaja!

Joana sentou-se num banco de madeira que havia por ali.

— O que você quer que eu faça? — perguntou ele, tentando se aproximar.

— Ah, suma da minha frente!

Ele tentou tocar os cabelos dela. Joana tirou a mão do cara e gritou:

— Vá se foder, Milton! Me

O cara ficou puto da vida. Veio em direção ao carro como um touro. Quase vi sair fumaça de suas narinas. Ele abriu a porta, afastou o banco e gritou feito louco:

— Sumam do meu carro, seus porras! Vamos! Rápido, caralho! Rápido!

— Dá uma carona pra gente, mano! — disse Mamute.

— Mano o caralho! Saiam agora! Vamos! Saiam!

Putz! Não teve jeito. Saímos. O cara entrou no Escort e saiu queimando os pneus. Lá se foi nossa carona.

— Caralho! Pra ficar pior só falta chover cocô. — eu disse, coçando meu saco. Minha cueca está tão arrebentada que sinto que o vento vai levá-la embora a qualquer momento. Sério mesmo.

Joana estava chorando. Caminhei até o banco e sentei-me ao seu lado. Odeio ver mulher chorando, me dá um desespero total. Não sei o que fazer, o que dizer, fico perdidaço. Arrisquei colocar meus braços sobre o ombro dela. Acho que funcionou.

— Fica assim não. — eu disse.

— Vocês são todos iguais! Não valem nem a bosta que fazem!

— Eu sei. Somos sim. 

— Mas você também gosta de homem!

Fiquei puto. Quase joguei a mina pra longe do banco.

— Puta merda, Joana! Eu pensei que você estava só zoando com a minha cara. Eu não sou gay!

Joana deu um sorriso e olhou para o Mamute.

— Mas ele é, não é? 

Dei risada.

— Acho que nem a mãe do Mamute sabe que diabos ele é.

Ambos caímos na gargalhada.

— O que aconteceu? — gritou Mamute. — Do que estão rindo? Minha bunda está aparecendo? Puta merda!

Rimos ainda mais.

— É uma pena você ser gay, Nando, pois ....

Caralho! Agora fiquei puto mesmo. Levantei-me do banco e gritei a plenos pulmões:

— Porra, Joana! Quer saber? Vou provar quem é o gay aqui. Você tem grana?

Joana ficou assustada, mas respondeu:

— Sim, tenho, mas por quê? Vai me assaltar?

— Não, claro que não. Estamos em frente ao Motel, não estamos?

Ela fez que sim com a cabeça.

— Se você pagar um quarto pra nós dois eu prometo te proporcionar a melhor trepada da sua vida. E aí, topa? Você vai ver que eu não tenho nada de viado! Vou fazer seus olhinhos virarem e revirarem de tesão. Prometo!

Joana me olhou um pouco assustada, olhou para a sua bolsa, e voltou os olhos pra mim, sorrindo.

— Claro, por quê não? Sempre te achei bonitinho mesmo. Foda-se o cafajeste do Milton.

Mamute começou a rir.

— Puta merda! Só faltava essa, vocês vão trepar e eu fico aqui sozinho! Que beleza, hein!

Eu e Joana rimos.

Neste momento um farol iluminou o estacionamento do Motel. Ah, puta merda! Será o Milton voltando pra pedir desculpas? Ah, caralho! Do jeito que a minha sorte está hoje deve ser ele mesmo.

Mas não é! É o Gol do Pezão. Puta merda! Ele, a Kátia e tem mais alguém no banco de trás. Sim, é ela, Letícia, ou Lelê para os íntimos. Virei de costas imediatamente. Já imaginou se a Lelê me encontra e resolve participar de um Ménage comigo e a Joana? Ah, eu sempre sonhei em participar de um Ménage à Trois, mas com duas gatas, né? Eu, a Joana e a filha do demônio não vale! Eu quero filmar e transformar num Cine Privet caseiro, não num Cine Sinistro.

— Aquele não é o seu amigo Pezão? — perguntou Joana.

— É sim. — permaneci de costas para o Gol.

— E por quê está se escondendo dele?

— Não é dele que estou me escondendo.

— Seria a morena?

— Também não.

— O Pezão está aqui? — perguntou Mamute. De onde ele estava não dava para ver o Gol do Pezão chegar.

— O que é aquilo dentro do carro dele? — perguntou Joana, observando o Gol — Ele trouxe um cachorro Bulldog no banco traseiro?

Para não alongar o papo eu concordei.

— Sim, eu estou me escondendo do... Bulldog. O nome dele é Killer. Ele gosta muito de mim, se me ver aqui vai ficar arranhando a porta do Gol para sair e o Pezão vai ficar puto comigo.

— Ah, ta. Sujeitinho estranho este seu amigo. Já ouvi muitas coisas sobre ele. São todas verdadeiras?

— Quase todas. 

Pezão e Kátia vieram em nossa direção. Antes que eu pudesse fazer alguma coisa o Mamute agiu primeiro:

— O Pezão agora é comedor? — gritou ele.

Pezão olhou assustado. Imagine você chegando com uma garota num Motel e de repente um gordo de cueca grita isso pra você. Hahahaha.... Eu também me assustaria.

— Caralho, Mamute! — disse Pezão, e começou a rir. — A loira te deixou só de cuecas? Se deu bem, hein!

— Porra, Pezão, nem te conto...

Pezão me localizou.

— Nando? Caralho, você também aqui? Não me diga que vocês participaram de uma suruba e não me chamaram!

Kátia estava mais chapada do que qualquer coisa. Nem me viu.

— Quem me dera, cara! Só tomamos no rabo esta noite! Tudo por sua causa!

— O quê? Vai se foder, cara! Pra começar eu nem vi vocês durante o show!

— O Berimbau mandou os seguranças nos jogarem pra fora do clube. Acho que eles também queriam jogar vocês, mas não sei como não te acharam.

Pezão caiu na gargalhada.

— Puta merda! Sério mesmo? Caralho, Nando... que azar! Suas chaves estão no Gol.

— Eu sei.

— Ah, a Letícia também está lá. Vai lá, mano, a garota está no desespero!

Olhei para Joana, e voltei o olhar para Pezão.

— Já tenho par para esta noite.

Pezão olhou para Joana.

— Eu conheço você. Tu é aquela fofoqueira do caralho!

Joana mostrou o dedo para Pezão.

— Porra, não vão brigar agora, né? — eu disse.

Pezão agarrou a cintura de Kátia.

— Vem, gata, Pezão vai te dar um trato. — e deu um puta beijo de língua na morena.

Olhei para Joana.

— Vamos?

— Mais dois minutos e eu já estava desistindo. — respondeu ela, revirando sua bolsa.

— Ei, e o que eu vou ficar fazendo aqui? — gritou Mamute.

Pezão olhou para trás, meteu a mão no bolso, tirou as chaves do Gol e as jogou para o Mamute.

— Senta esta bunda gorda lá e espera a gente terminar, cara! Ah, não mexe no meu som, falou?

Mamute fez sinal de positivo com a mão esquerda, enquanto chacoalhava as chaves com a mão direita. O gordo ficou contente. Sua barriga imensa balançava feito uma geléia de mocotó.

Enquanto nos dirigíamos à recepção do Motel eu comecei a refletir sobre a possível besteira que eu fiz. Já pararam pra pensar? Eu estou prestes a trepar com a maior fofoqueira da cidade! Eu confio no meu taco, mas... e se algo der errado e eu broxar? Putz! A cidade inteira vai ficar sabendo! Bom, mas eu acho que é melhor ser chamado de broxa do que de Rosinha.... não é? Putz! Santa Pixirica, me ajuda!

Caro leitor, isso aqui não é conto erótico, portanto não esperem que eu lhes conte os detalhes de minha trepada com Joana. Sim, já trepamos. E fiquem sossegados, pois não os farei esperar outro capítulo para dizer como foi. Não, eu estou louco para contar!!! Sim, foi a melhor trepada que eu já dei! Sim, amigos, quatro vezes, sem sair de cima. Coisa de louco! Joana, ou Jô para os íntimos, é praticamente uma profissional. Fizemos desde Chupeta Russa até a Garganta do Diabo. Sim, até o tal de Helicóptero Mexicano nós fizemos. Ela também conhecia o bagulho. Galera, eu sei que vocês me viram sofrer durante horas e horas, mas não precisam mais se preocupar comigo. Estou bem, estou no céu, estou no paraíso! Sei lá onde estou, mas estou bem. E tem mais, a cidade inteira vai saber do meu desempenho! Uhuuuuuuu! Ah, antes que eu me esqueça.... fizemos tudo com proteção, viu? Sempre. Proteção sempre. Jontex. Sou louco, mas não suicida.

Obs.: Se algum executivo da Jontex estiver interessado em me recompensar pela propaganda eu estarei de braços abertos. Uma caixinha com 500 unidades está bom? Pode mandar, eu as receberei com todo o carinho. Sedex 10, please!!! Porte pago, é claro.

Deixamos o quarto com as pernas até meio bambas. Do outro lado uma porta também se abriu. Sim, Pezão e Kátia também estavam saindo. Eu e Joana com largos sorrisos nos rostos, do outro lado discussão e cabeças baixas.

— Isso nunca me aconteceu antes, gata! — repetia Pezão.

Pezão broxou!!! Hahahahaha....... A noite fica cada vez melhor! Hahahahaa.......

— Você bebeu tanto que ficou com esta boceta toda murcha! — disse Pezão. — Acho que foi por isso que eu...

Kátia deu-lhe uma bofetada tão forte que doeu até em mim. Putz!

Saímos os quatro juntos. Eu estava louco para cair na gargalhada, mas conheço Pezão muito bem. Se eu fizer isso o filho da puta me deixa aqui e sai cantando os pneus com o Gol. Ele já fez isso uma vez.

Fomos caminhando lentamente e em silêncio até o Gol. Este balançava feito uma .... máquina de lavar!!!

— Porra, Mamute, não! — gritou Pezão, e começou a correr em direção ao Gol. — Eu te mato, gordo filho de uma puta!

Será o que estamos pensando? Mamute e Lelê? Só faltava essa. Imaginem só a criança oriunda desta união! Putz! Tenho medo até de imaginar. De uma coisa eu tenho certeza, a criança já nasceria com um contrato para trabalhar no filme Alien 5.

— Puta merda, Mamute! — gritou Pezão, de frente para Gol.

Comecei a rir e corri até o carro para ver esta cena inusitada. Imaginem só um hipopótamo trepando com um diabo da tasmânia! Deve ser parecido, né? Kátia e Joana apenas apertaram os passos, não correram. Mesmo que tentassem, não conseguiriam. Joana está meio tonta até agora.... hehehe.... e Kátia está chapada demais.

Aproximei-me do Gol e lá estavam eles. Mamute e Lelê no maior rala e rola. Puta merda! Quase fiquei cego ao olhar para o bundão branco de Mamute raspando o vidro do Gol. Que horrível! Era como ver um filme de terror ao vivo. De vez em quando os peitos murchos de Lelê também apareciam. Pezão estava quase enfartando. Batia no vidro sem parar, gritando desesperado:

— Pára, Mamute! Vou matar vocês dois! Parem com isso! Meu carro não é zoológico! Caralho!

— O gordo está comendo o cu do bulldog? — perguntou Joana. Eu caí na gargalhada.

Os dois não davam a menor atenção. O bicho estava pegando mesmo! Eu nem conseguia mais olhar para aquilo. Era bizarro demais. Eu curto filme de terror, mas aquilo era demais para meus olhos. De repente eu olho para a placa do carro estacionado ao lado do Gol e tenho um flash em minha mente. Bum! Como um raio! Sim, aquela placa pertence ao Fusca vermelho do traveco pistoleiro! Puta merda!

— Caralho, Pezão, acho melhor a gente sair logo daqui!

— E acha que eu quero fazer o quê, porra? Mas esta jamanta gorda não desgruda da filhote de pigmeu ali dentro! Cassete!

— Sabe de quem é este Fusca vermelho aí ao lado?

— Estou cagando e andando! Quem seria babaca o bastante para comprar um Fusca vermelho?

— Eu, meu querido! — Gritou o traveco, saindo do Motel com um coroa bem vestido. — Algum problema?

Puta merda! Corri para o Gol e comecei a dar tanta porrada no vidro que quase o quebrei.

— Abre esta porra aí, Mamute! O traveco maluco está aqui!

— Do que você está falando, cara? — perguntou Pezão.

— Aquilo ali é o traveco com o 38 na meia, lembra?

Imediatamente...

— Puta que pariu!!! — gritou Pezão esmurrando o próprio carro. — Abre esta porra aí, balofa gorda do caralho!!!

Mamute fez uma pausa no rala e rola e viu o traveco com o coroa.

— Puta merda! — gritou ele, abrindo a porta do Gol rapidamente.

Pezão correu para o volante. 

— Entra, porra! — Pezão gritou para mim.

— Eu não! Os dois estão pelados ali atrás! — empurrei Joana e Kátia para o banco de trás e sentei-me no banco da frente, ao lado de Pezão.

O traveco recebeu o pagamento do coroa e veio correndo até o seu Fusca.

— Agora eu pego vocês, seus filhos da puta!

— Liga esta porra, Pezão! Anda logo!

— A chave está toda melada, caralho! Eu mato você, Mamute! Puta merda!

— Vai logo com isso, caralho!

O motor do Gol roncou. Saímos tirando faísca dos outros carros. O Fusca também começou a se mover. Mas já estávamos longe. Nessas horas é que é bom ter um carro turbinado. Oh, como é bom! Voltamos para a estrada a toda velocidade. Praticamente um repeteco daquela primeira vez em que tiramos lasca do ônibus do Rappa. Só que desta vez não havia nada vindo em nossa direção... a não ser... o ÔNIBUS DO RAPPA!!!

— Puta que pariu!!! — gritou Pezão, olhando o espelho retrovisor. — Segurem-se, o bicho vai pegar!!!

— Eu não quero morrer!!! — gritou Mamute com os olhos arregalados observando o ônibus vindo em nossa direção.

Pezão pisou fundo no acelerador e o ônibus tirou lasca da traseira do Gol. Foi realmente por muito pouco. Se Pezão não tivesse turbinado o Golzinho nós estaríamos jantando com o coisa-ruim neste exato momento. O motorista do ônibus começou a buzinar freneticamente. Acho que ele vai ter pesadelos com o Gol vermelho com adesivo "Bad Boy" para o resto de sua vida. Se você também tem um Gol vermelho com adesivo "Bad Boy" na traseira.... eu aconselho você a trocar de carro ou a retirar o adesivo. Pois se algum dia o Rappa for tocar aí na sua cidade você poderá ter uma surpresa ruim. Sei lá, é dica de amigo.

— Uhuuuuu! — gritou Pezão. — Eu preciso entrar para a Fórmula 1, galera! Vou ensinar o Rubinho como é que se pilota!

— Vai tomar no seu cu, cara. — disse Mamute, tentando achar a sua cueca.

— Desencosta, meu! — gritou Kátia, empurrando Mamute para o outro lado.

— Que isso, gatinha? Eu já estou pronto para ação, vem brincar com o Mamute.

— Que nojo! — disse Joana. — Vista alguma coisa, sua baleia assassina!

— Baleia assassina é a sua mãe, sua vaca!

— Ordem no galinheiro, caralho! — gritou Pezão. — Vocês estão no meu carro! Aqui mando eu!

— Ah, você não manda nem no seu próprio pau! — sussurrou Kátia.

— Sai fora, biscate!

Putz! O Gol virou um verdadeiro inferno. Nem o coisa-ruim sobreviveria ali dentro por 10 minutos. Enquanto todos brigavam eu e Lelê nos olhávamos.

— Perdoe-me, Lelê, eu tive problemas e....

— Lelê o escambau! Meu nome é Letícia. Letícia!

Quer saber? Não devo explicações a ela. Foda-se a Lelê. Ela e os seus peitinhos murchos.

Levamos uns 12 minutos para voltarmos para o centro da cidade. Kátia desceu e esperou a amiga se vestir novamente. Foi a primeira e acho que vai ser a última vez em que vi uma garota trocando de roupa dentro de um carro com três machos e nenhum deles se atreveu a olhar para ela. Lelê terminou de se trocar e saiu. Nenhuma palavra. Adeus, filha adotiva do coisa-ruim. 

— Me liga, ta? — disse Mamute de repente.

Caí na gargalhada. Mamute me deu um puta soco no braço.

Lelê enfiou a cara feia dentro do carro e disse:

— Lugar de baleia é no oceano, ta?

Caímos na gargalhada. Lelê ajeitou os peitos murchos dentro do sutiã e saiu rebolando aquela bunda murcha ao lado de sua amiga Kátia. Esta, chapada, caminhava com dificuldade. Duas figuraças! Só vendo mesmo.

Pezão dobrou mais 5 quarteirões e foi a vez de Mamute descer. Usando cueca do Mickey e com toda sua banha balançando. Uma imagem linda de se ver ao amanhecer.

— Falou aí, galera. A gente se tromba por aí.

— Falou, Mamute. E mais uma coisa, o seu Mickey está pra fora.

Mamute olhou imediatamente e viu seu bilau mole pra fora da cueca. Guardou-o novamente em seguida.

— Nando, lembre-me de nunca mais ficar perto de você numa balada... Puta que pariu! Vai ter azar assim lá na casa do caralho!

Mostrei meu lindo dedinho para ele, todo ereto e brilhante. Mamute correu até o portão de sua casa. Foi muito engraçado ver aquele monte de banha chacoalhando novamente. Tocou a campainha. Pezão engatou a primeira e saiu cantando os pneus, como sempre. Próxima parada, casa da mãe Joana. Hahaha...... Quero dizer, casa da mãe da Joana. Esta estava de cabeça baixa, encostada no vidro.

— O que foi, Joana? Está tudo bem?

— Não muito. Estou com muita raiva.

— De quem?

— Lembra do coroa que saiu do Motel com o traveco?

— Lembro, e daí?

— Era o meu pai.

Putz!!! Caraca!!! Essa foi forte. Já imaginou isso acontecer com você? Caralho.

— Seu pai dá a rosca? — disse Pezão, rindo.

Joana deu-lhe um puxão de orelha no capricho. Doeu até em mim.

— Oh, pra que isso? — gritou Pezão. — Vai se foder!

— Pára o carro. — disse Joana.

— Com todo o prazer. Você vai descer, né?

— Lógico, babaca. Esta bosta deste carro está um fudum horrível. Sabia que este cheiro nunca vai sair?

— Eu compro outro, gata. Esquenta não.

Pezão está mexendo com a garota errada. Ah, azar o dele! Hahahaha.....

Abri a porta e desci do Gol. Ajudei Joana a descer.

— Você é legal, Nando. Não devia andar com uns.. — e olhou para dentro do Gol. — certos babacas.

Pezão ignorou, e ligou o rádio.

Dei um selinho rápido em Joana e voltei pro carro. 

— O que achou da nossa.....

— Trepada? Muito boa, levando em consideração que você é gay....

Fiquei muito puto!!!

— Porra, Joana, vai tomar no .....

— Estou brincando! 

— Faz isso não, mulher. Já sofri muito hoje.

— Tadinho. Precisa descansar. Eu preciso descansar. Afinal de contas eu preciso contar para todas as minhas amigas o que me aconteceu hoje.

Fechei a porta do Gol. Pezão ligou o motor.

— É mesmo? Vai contar sobre as quatro vezes sem sair de cima?

— Isso também, mas a melhor parte da história é outra.

— Qual?

Pezão engatou a primeira.

— Finalmente consegui converter um gay em hetero!!!

Pezão saiu cantando os pneus e às gargalhadas.

— O quê? — eu gritei, olhando Joana ficar para trás. — Não! Eu sempre fui hetero! Sempre fui! E vou continuar sendo até morrer!

— Tomou no cu! — disse Pezão, rindo.

— Seu puto! Por quê não me deixou explicar?

— Eu quero ir embora pra casa, meu! Esta noite foi foda.

— Foda? Você nem sabe o que é ter uma noite foda! Noite foda tive eu!

Pezão me deixou na porta de casa. 

— Como é que a gente faz agora? Enquanto o Berimbau for chefe daquela porra lá nós não poderemos voltar. Puta merda!

— Eu volto lá a hora que eu quiser. 

— Então você gostou do que aconteceu lá entre você e o Berimbau, né?

— Vai se foder, mano! Já avisei, nunca mais mencione isso. Jamais!

Desci do carro com um sorriso maroto nos lábios. Só pra provocar o Pezão.

— Hoje á tarde na casa do Zé?

— Claro, domingo no Zé é sagrado. A gente aparece por lá. Beleja?

— Beleja. Té mais.

— Ah, e vê se leva esta sua prima gostosa lá, falô?

Estiquei meu dedo pro filho da puta. Está pensando o quê? A prima é minha! A preferência é minha! Além disso ela me deu bola ontem, não deu? Acho que deu.

Entrei de mansinho em casa. Porra, a casa está cheia. Já imaginou o mico eu chegando só de cueca e tênis? Abri a porta da sala e andei na ponta dos pés até o meu quarto. Baixei a cueca, joguei-a longe e desabei sobre a minha cama.

— Ei, o que é isso? — alguém gritou.

Putz! Agora é que eu me lembrei! Meus tios dormem na minha cama quando estão nos visitando! Acho que eu caí com todo o meu "equipamento" sobre a minha tia!

— O que é isso? — gritou meu tio. — Quem está aí?

— Eu tropecei e caí, tio! Desculpa.

— Nando, é você?

— Acho que sim, tio. Estou meio chapado, sabe?

Putz! Que mico! Minha tia percebeu que eu caí sobre ela peladão. Mas pra minha sorte preferiu ficar quieta. Será que ela gostou? Hahahaha..........

Saí rapidinho do meu quarto e voltei pra sala. Mas agora tem mais um problema! Estou peladão peladão! Joguei minha cueca e nem faço idéia de onde ela foi parar. Acho melhor eu ir para o banheiro. Tranco a porta, deito sobre o tapete e durmo até onde for possível. Depois finjo que estou tomando banho e saio com a toalha de alguém. Isso, perfeito! Só tem um problema, chegar até o banheiro sem tropeçar nos meus primos espalhados pelo chão da sala e sem acordar alguém pelo corredor.

Mesma tática, andar na ponta dos pés e seja o Deus quiser. Vamos lá. Devagarinho eu chego. Meu bilau começou a encostar na parede fria. Putz! Acho que vou espirrar! Segura! Segura! Putz! Vou espirrar! Vou....

Alguém puxou meu braço. Caralho, alguém me puxou para o quarto da empregada! Mas nós não temos empregada! Só pode ser....

— Oi, primo, chegando agora? 

Não acredito! Minha prima! Ela me puxou para dentro do quarto e fechou a porta rapidamente.

— Pois é. — estou peladão! E agora?

Ela ascendeu a luz do quarto. Imediatamente levei minhas mãos sobre meu equipameto. Não sei se ela quer ver ou não, né? Sei lá, melhor não arriscar. Seria meio constrangedor a família inteira acordando aos berros dela: "Tarado! O Nando é tarado!"

Putz grila! Ela está usando uma blusinha curtíssima e uma calcinha rosa cheia de patinhos amarelos. Caraca! O Nando Jr. começou a crescer! E Ela percebeu.

— Tudo bem, Nando. Isso é normal. Não precisa ficar tão vermelho assim!

— Estou vermelho? — Porra, é lógico que estou vermelho!

Ela caminhou lentamente até a porta. Puta merda, que bundinha redonda! Que pernas lindas! O Nando Jr. começa a tomar forma. O que eu faço? Agora ela trancou a porta! Isso aqui está melhor do que todas as minhas fantasias juntas! Não acredito!

— Você sempre me olhou de um jeito diferente, Nando. Eu sei.

Adalgiza tirou a blusa num piscar de olhos. Putz! Ela está querendo! Sim, está! E o Nando Jr. também. E como está!!! Se comer a própria prima é pecado... então meu ticket para o inferno já está mais do que carimbado!!! É hoje! Avancei sobre os peitinhos duros de Adalgiza e abaixei sua calcinha, alisando suavemente suas pernas torneadas. Quando me aproximei do Parque de Diversões..........

Rrrrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiing!!! O maldito telefone.

Adalgiza se fora. O quarto da empregada se fora. Eu estava sonhando.

— Alô!

— Nando? — a voz no telefone perguntou. Era o Pezão.

— Vai pra puta que o pariu! — eu disse, e desliguei o telefone, puto da vida.

De repente senti alguém alisando minha bunda. Era uma mão delicada. Sim, diga que não foi um sonho! Diga que não foi um sonho! Eu realmente comi a minha......

— Oi, sobrinho.

— PUTA QUE PARIU !!

( FIM )