As Aventuras de Nando & Pezão

"O Show do Rappa"

Capítulo 2 – O Sabadão Promete!

Beleja pura! Já arranjei o que fazer no sabadão. Olha, caro amigo, a situação estava feia. Só pra você ter uma idéia eu já estava consultando o jornal pra ver a programação das emissoras na madruga de sábado pra domingo. Eu procurava o nome do filme do Cine Privet da Band, é claro. Ahá! Então você já conhece, né? Hehehe.... Eu já desconfiava. Não conheço nenhuma criatura do sexo masculino que desconheça Cine Privet. Ele pode até negar, mas no fundo ele lembra até das cenas favoritas. Tipo, eu gostei muito daquele episódio do baixinho eletricista que vai consertar o chuveiro e acaba traçando a dona da casa, a irmã, a cunhada da irmã, a empregada, a cozinheira, e mais uma vagabunda que eu não me lembro. Só sobrou a cadelinha poodle. Quero dizer, acho que sim, pois não cheguei até o final do filme... hehehe ... se é que você me entende.

Sempre que a gente joga muita esperança no sabadão as coisas tendem a dar errado. Isso também acontece com você? Putz! Comigo é direto. Mas hoje eu estou sentindo vibrações positivas. Já estou preparando meu estoque de camisinhas pra esta noite. Carrego sempre comigo, peça indispensável. Tenho de morango, abacaxi, banana, queijo muzzarela e repolho refogado. Pois é. Nunca se sabe o gosto da mina, né? E falando em mina, eu preciso catar alguém de respeito hoje, meu. A última mina que catei eu até cortei do meu caderninho. A mina tinha a moral de peidar quando eu apertava o peitinho esquerdo dela. Eu mereço? Caralho, pior que é verdade. O direito nada, mas bastava dar uma apertadinha no esquerdo... xiiiii ... e vinha daquelas bufas mortais. Pobre Vivian, se não tratar disso logo vai morrer solteira. Que nada, mais cedo ou mais tarde ela encontra um Creitão. Ah, você quer saber quem é o Creitão? Sério, mano, você não quer saber quem é o Creitão. O cara é uma versão piorada do Pezão. Tipo o Pezão é o Windows 98, o Creitão seria o Windows 95 com algumas DLL's deletadas. Saca? Só pra você ter uma noção ele era conhecido no colégio como Creitão Porcão. Meu, o cara tinha a moral de arrotar no portão do colégio e o barulho chegar até a última sala. Meu, o colégio inteiro ouvia. E o pior é que ele nunca passava pelo portão sem dar a sua famosa arrotada do dia. Lembro-me que eu, o Pezão e outros manos apostávamos todos os dias pra ver quem acertava o tempo dos arrotos. Putz! Teve um dia que todo mundo errou feio! O Creitão teve as manhas de arrotar por 20 segundos. Recorde total! O pior é que teve neguinho que até se levantou da carteira pra aplaudir.

O dia vai passando e cresce a ansiedade. Você sabe como é. Será que vou comer alguém? Ou pensando como uma garota... Será que vou conhecer o gato da minha vida? Putz! Eu ainda prefiro as minas com este pensamento, mas anda meio difícil. Hoje em dia todas as minas que conheço pensam assim... Pra quantos será que vou dar hoje? Hahaha .... É, mano. Não ri não, quem garante que sua irmã não está pensando isso neste exato momento? Hahaha ... Só sei que a minha não está, afinal não tenho irmã. Infelizmente tenho dois irmãos, um mais filho da puta que o outro. Acho melhor nem falar nada, não estou a fim de estragar meu sabadão. Afinal o sabadão promete! Show do Rappa, muita gatinha, muita mão nos peitinhos, muito beijo na boca, é isso aí. Pensamento positivo.

Já são 4 e meia da tarde, futebolzinho na globo. Campeonato Paulista, São Caetano X Ituano. Puta que o pariu! Meia hora de jogo e nenhum goleiro viu sequer a cor da bola. Melhor desligar a bagaça, além disso a voz do Kleber Machado me irrita.

Desligo a TV e ouço a campainha. Tomara que não seja a Claudinha. Tudo bem, você não conhece a Claudinha. Eu explico. Ei! Agora que eu percebi, vocês vão ficar sabendo muita coisa da minha vida, né? Caralho, só agora caiu a ficha. Bom, dane-se. Não tenho nada a esconder mesmo.... exceto aquele dia em Ubatuba, mas... outro dia eu conto. Agora eu vou explicar quem é Claudinha. Ela é a minha ex-namorada, ficamos juntos por 3 meses, até que um dia eu a encontrei com a mão naquilo e aquilo na mão com o verdureiro. Pois é, amigos. A mina me chifrou com um cara que vendia mamão papaia na feira. Nada contra os vendedores de mamão papaia, mas seria mais legal pro meu ego se ela me chifrasse com um advogado bem sucedido ou sei lá, esta foi foda. Então, geralmente sabadão a tarde bate arrependimento nela e a desgraçada resolve vir aqui pra dizer que me quer de volta. Ah, sai fora! Fica lá com o tiozinho dos mamão papaia. Caralho, a campainha! Puta merda, seria melhor não ter atendido. Eu não acredito no que meus olhos estão vendo. A família buscapé! Oh, não, fodeu.

A família buscapé foi como eu apelidei uns parentes da minha mãe. Na verdade são a minha Tia Marcelina, o meu Tio Josué, a minha prima Adalgiza(gostosinha, diga-se de passagem), e os meus dois primos(tudo pirralho, um de 8 e outro de 13 anos). Eles moram em Itapopoca do Norte, na Paraíba. Eles são como aquele programinha do Imposto de Renda : baixam aqui uma vez por ano. Eu vou ser sincero, eu odeio! Minha mãe me tira do meu quarto, fico dormindo na sala junto com meus primos pentelhos. Os filhos da puta peidam a noite inteira. Um verdadeiro inferno. Além disso estes meus primos mexem em tudo! E eu tenho um puta cuidado com as minhas coisas, principalmente com meu Sony 2.300W P.M.P.O. Eu juro, ladrãozinho pode entrar em casa e roubar tudo, menos o meu Sony. Tenho até tesão por ele.. hehehe ... só não faço amor com ele porque o buraquinho do fone de ouvido é muito pequeno. Bom, voltando ao assunto da família buscapé.... a única coisa boa é a minha prima Adalgiza, confesso que já perdi muitas horas no banheiro por causa dela. Meu, não tenho culpa se a mina rebola aquela bundinha num shortinho ultra hiper mega maxi minúsculo. Será que transar com prima é pecado? Hahahaha.... Se for, dane-se, depois de tudo que eu já fiz eu tenho certeza de que vou encontrar o coisa-ruim no final do túnel. O único problema é que ela nunca demonstrou interesse em liberar a vai-que-é-sua-tafarel pra mim.

Beijinho daqui, abraço dali, aperto de mão de cá, e a família buscapé se instala. Seria um mau sinal pro meu sabadão? Ai ai ai ... Bati na madeira 3 vezes e dei um peido. Ah, o peido foi por conta, não faz parte do ritual pra dar sorte. 

Saí pra comprar gel pro meu cabelo. Pois é, hoje eu quero estar lindo e gostosão! Hahaha ... As minas vão passar por mim e fazer miau. Volto pra casa assobiando minha música favorita do Rappa "Oh, la lá! Oh, la lá! Eeeeeeeia! Faltou luz, mas era dia, dia!" Entro na sala e dou de cara com a minha prima gostosona.

— Oi, Nando. — Diz ela, cruzando as pernas. Caralho, que coxa! Dezenove aninhos, meu camarada!

— Oi, coisinha fofa. Dá pra nóis. — Bom, na verdade não foi exatamente isso que eu disse. Eu só consegui dizer: — Opa, tudo bom?

— Tudo jóia. Ainda está namorando aquela moreninha, a Marcinha?

— Não, não... Já terminei faz tempo. Eu estava com ela quando você veio aqui pela última vez?

— Sim, ela era uma graça. Por quê terminaram?

— Longa história. Nem te conto.

Ela sorriu. Putz! Acho que vi dois dentes podres! 

— Que pena... pra ela.

Não acredito! Ela está me cantando? Uhuuuu! É a magia do sabadão! Hoje eu vou me dar bem. Despeço-me da prima gostosa com um sorrisinho sem-vergonha e entro no meu quarto. Putz! Estava demorando muito. 

— Você tem um monte, Nando! — diz o meu primo de 8 anos segurando uma penca de camisinhas que estavam dentro do meu criado-mudo. Eu mereço?

— Larga isso, moleque.

— Você vai usar tudo isso?

— O quê? Você nem sabe pra que serve isso! — Meu, eu estou a ponto de enfiar uma bolacha no pirralho.

— Eu sei sim! Você coloca no pinto antes de transar. 

Caralho! O moleque só tem 8 anos, meu!

— Você acha que sou bobo, é? 

— Puta merda, moleque, você só tem 8 anos! Não está na idade pra estas coisas não.

— Ah, eu sei tudo sobre isso. Na casa do meu amigo tem internet. Meu amigo tem um monte de foto de cavalo transando com mulher. Ele tem até um vídeo de um negão transando com uma cabrita.

Meu, eu juro que já vi e ouvi muita coisa, mas o pirralho é demais! Hahahaha .... O maldito conseguiu até me fazer rir.

— Qual o tamanho do seu pinto? — Oh, o molequinho já está abusando!

— O quê? Pra que você quer saber?

— Quando eu crescer o meu vai ser assim, ó. — e abriu os braços.

— Bom pra você. Seu pinto vai medir 1 metro? — Falei sério, já tenho algo preparado pra sacanear o pirralho.

— O do namorado da Ada era pequenininho.

O quê? O pirralho é muito louco, meu! hahaha

— Do que você está falando?

— Uma noite eu vi ela entrar com ele no quarto. Eu fiquei escondido e vi tudo. Quando ele tirou a cueca deu pra ver o pinto dele. Era assim mais ou menos. — E abriu um espaço entre as mãos, dando uns 20 centímetros mais ou menos. Oloko! hahahaha

— Só isso, Pedro? — hehehe... primeira vez que usei o nome do fedelho, né? Isso é bom, não gosto de dar muita intimidade pros pirralhos. Caso contrário eles montam e aí você está fodido.

— Muito pequeno. Quando eu crescer o meu vai ser grandão, bem grosso.

Caralho, acho que nunca ri tanto em toda a minha vida. O Pezão precisa conhecer este pirralho! hahaha

— Eu sei um jeito de deixar o ... pinto bem grande.

— Eu já vi na internet. Usam um tubo de plástico, né?

Cassete, o pirralho é esperto. Mas eu pego ele.

— Tem este também, mas o jeito que eu conheço é de graça e muito fácil de fazer.

— É mesmo? E ele fica assim? — O moleque abriu os braços novamente. Caramba, o que o pirralho quer fazer com um pinto de 1 metro? Eu, hein! O moleque anda vendo muita internet.

— Opa, fica sim, e fica grosso também. — Está difícil me controlar, meus lábios estão se contorcendo. — Quer saber como é que faz?

— Quero sim, Nando.

— É muito fácil, dói um pouco no começo, mas depois o cara se acostuma. Você pega uma cordinha e amarra um tijolo.

— Tijolo?

— Sim, precisa ser um tijolo. Amarra bem amarradinho. Depois você amarra... — Cara, acho que não vou conseguir... estou quase me mijando de rir. — ... no pinto.

— Nossa! E funciona mesmo?

— Claro!

— Ah, é mentira.

— Juro que não. Eu fiz e funcionou.

O pirralho olhou para a minha virilha. Sai fora, moleque!

— E ficou grandão?

Abri os braços o máximo que pude. Não acredito como consegui segurar o riso.

— Uau...

Quando o moleque saiu do meu quarto eu explodi numa gargalhada enlouquecida. O sabadão promete!!! Uhuuuuu!

Contagem regressiva. Já são 9 horas da noite. Hora de fazer a barba e tomar aquele banhão. Muito cuidado com a gillete. Não quero sair pra night com cara de Freddy Krueger, né?

Saí do banheiro uns 40 minutos depois e dei de cara com a minha mãe.

— Aonde você vai?

— Vou num show, mãe.

— Com quem?

— Com uns amigos maconheiros.

— O quê?

Eu faço esta piada há mais de 5 anos e ela sempre cai. Putz!

— Tô brincando, mãe. A senhora sabe que eu vou com o Pezão.

— O Maurício bebe?

Obs.: Maurício = Pezão.

— Só um pouquinho. — Na verdade o Pezão e eu bebemos juntos umas 16 latinhas de Brahma por noite.

Obs.: Não ganhei nada da Brahma pela propaganda.

— Olha, Sr. Fernando.. — Xiiiiiiiiiiii, falou meu nome. Aí vem sermão. — Não seja estúpido de voltar pra casa com um bêbado no volante, hein! Pelo amor de Deus!

— Tá, mãe. Eu sei, eu sei.

Passei por ela.

— Ah, mais uma coisa. 

Caramba, o que será agora?

— Sua prima e seu primo também querem sair com você.

— O quê? Sem chance!

— Eles vão com vocês sim. Não seja mal educado.

— Mãe, sem chance. Não tem mais como eles entrarem no show. As entradas estão esgotadas desde quarta-feira.

— Então como vocês dois vão entrar?

— O Pezão conseguiu 2 entradas.

— Nando, não tenta me enrolar não!

Prossegui o meu caminho até o meu quarto.

— Não estou! Se não acredita em mim liga lá pro clube, ora!

Papo encerrado. Minha mãe sossegou. Ufa! Agora é me concentrar no sabadão.

Aproveitei o máximo de tempo para ficar no meu quarto, já que ele seria tomado pela família buscapé nos próximos dias. Se mexerem no meu Sony vai ter morte!

Hora da checagem final.

Carteira : Ok!

90 Paus e alguns trocados : Ok!

Celular : Ok!

Camisinhas : Ok!

Balinhas de menta : Ok!

Cuecão de couro : hahahaha... peguei você, hein! Sai fora! Tá me estranhando? Eu sou o Nando comedor.

Sabadão nosso de toda a semana, aqui vou eu!! Uhuuuuuu!

— Nando, não vai levar agasalho? Está frio!

— Tá, mãe. — preciso dizer que é tudo igual?

O Pezão mora a uns 5 quarteirões da minha casa. Pode parecer muito, mas nem tanto, tenho as pernas compridas, chego rápido. Putz! Olha só quem está na esquina, fodeu. Já avistei o Zé Biruta. É ele mesmo. Ah, já sei, você quer saber quem é. O Zé Biruta é um mendigo chato que fica enchendo o saco até você dar uma nota de R$1,00 pra ele. Uma tremenda mala sem alça. E o pior é que eu vou precisar passar por ele. Bom, foda-se, lá vou eu. Se o mala vier pra cima de mim eu ignoro.

O mala veio pra cima. 

— Dá um Real aí, moço!

Fiquei quieto e tentei passar batido, não consegui.

— Só um Real, moço!

— Não tenho, cara!

— Estou vendo sua carteira, moço!

— Mesmo assim não vou dar.

— Só um Real.

Fiquei puto.

— Nem que você me faça uma chupetinha!

— O que é chupetinha, moço?

Corri e consegui escapar do Zé Biruta. Afastei-me e dei uma olhada para trás. Zé Biruta colocou as mãos em forma de concha sobre a boca e começou a gritar:

— Um Real! Um Real! Eu faço uma chupetinha! Um Real! Eu faço uma chupetinha!

Quase me caguei nas calças de tanto rir. Ri mais ainda quando 2 homens saíram do bar e foram em sua direção balançado uma nota de um Real nas mãos. Depois senti pena. Ah, só um pouquinho. O cara é muito mala! O Pezão conta uma estória muito engraçada dele, mas não sei dizer se é verdade. O Pezão conta que deu uma nota de R$1,00 para o Zé Biruta e ele abaixou as calças e limpou o cu com a nota. Verdade? Sei lá. Este mundo é muito louco. Depois de ver aquela foto da cagada no site do Julio Fantasma eu não duvido mais de nada. 

O Pezão não mora numa casa, mas numa mansão. Pois é, o pai dele morreu e deixou uma herança bem gorda pra família. Hoje ele mora com a mãe(Advogada, uma coroa muito gostosa, com todo o respeito... hehehe), a irmã(que não tem AIDS, ufa) e o irmão. Meu, o irmão do Pezão é um pirralhinho, parece um toquinho de árvore, mas vocês precisam conhecê-lo, o carinha é muito figura. Ele é uma espécie de mini-gênio. Tipo um Bill Gates mirim. O pirralho inventa uns trecos muito loucos. O que o Pezão tem de estupidez o irmão tem em inteligência.

Toco a campainha e quem aparece? Sim, o mini Bill Gates, até o óculos é parecido.

— Oi, Nando!

— Beleja, Bill Gates?

— Sai fora, meu! O meu sistema operacional não vai dar pau!

Não entendi direito o que ele quis dizer com isso, mas dei risada pra não parecer estúpido perto do pirralho.

— Pois é. Seu irmão está aí?

— Acho que sim. Entra.

Entrei e fiquei esperando o Pezão sobre o gramado. Meu, eu daria qualquer coisa pra morar num lugar destes. Bom, quase tudo. Aqui é só válvula de escape!

O Bill Gates mirim volta correndo, com um sorriso maroto nos olhos. Aí tem.

— Pega. — ele me ofereceu uma bala verde.

— Hummmm. O que você está tramando?

— Nada! Estou inventando uma nova bala. Prova aí.

— Eu? Nada disso.

Ele pegou outra bala igual e colocou na boca.

— Boa, muito boa. Mas ainda não está do jeito que eu quero.

— Você está querendo me sacanear.

— Não tô não! Hummmm! Prova!

— Murilo, se esta bala me fizer mal eu te mato!

O pirralho deu um sorriso maroto. Resolvi confiar no garoto. Afinal quem garante que não estarei provando uma bala que vai revolucionar o mundo dos doces? Vocês estão rindo? Estou falando sério! O pirralho tem as moral. Vocês precisavam ver o que ele fazia com uma caixa de Lego aos 4 anos de idade! Muito louco.

— Ok, vou provar. Olha lá, hein!

— Fique sossegado.

Coloquei a bala na boca. Meu, nota dez!!!

— Caralho, muito boa! Muito boa mesmo!

— Não falei?

— Que diabos você usou pra fazer este bagulho?

— Perna de barata.

Quase cuspi a bala longe.

— Tô brincando. Os ingredientes são segredo.

— Porra, Murilo, quase me caguei nas calças!

O moleque deu uma gargalhada e se foi novamente. Meu, a bala é muito boa! O moleque tem futuro. Só espero que não tenha porra de cachorro nesta bala.

O celular toca.

— Alô.

— Oi, gato!

Caralho, eu conheço esta voz.

— Claudinha? Oh, mina, desencana!

— Não é nenhuma Claudinha. Um Corsa verde te lembra alguma coisa?

Claro que me lembra, foi no Corsa verde que tracei a irmã do Pezão. Aliás o Corsa verde é dela.

— Maura, é você?

— Adivinhou, gato.

A irmã do Pezão não é bonita, mas é gostosa pra caralho. Está no auge dos seus 26 aninhos de vida.

— Tudo bem com você, Maura?

— Mais ou menos. — seu tom de voz mudou.

— Por quê, gata? — falso!! Nós homens não prestamos mesmo.

— Eu estou grávida.

— O quê??? — Caraca! O Pezão não me falou nada.

— E você é o pai.

Meu, caí de bunda, sorte que a grama fofa amorteceu a queda.

— Puta merda! Não pode ser! Não me zoa, Maura?

Foi aí que comecei a ouvir uma gargalhada. Olhei pra cima e lá estava a vaca da Maura na janela.

— Porra, gata, não faz isso comigo! Meu coração é fraco, sabia?

Ela continuava a rir histericamente.

— Aonde você vai assim todo arrumado? Não vá me dizer que conseguiu ingressos para o show do Rappa? Estou puta da vida. Ganhei 2 ingressos e ficaram de me entregar aqui em casa, mas não entregaram. Vou ficar chupando dedo.

Putz! Maldito Pezão, roubou os ingressos da irmã. Hahahaha... Foda-se!

— Vamos a uma festa de aniversário de um amigo nosso. Nada demais. — hehehe... acham que sou louco de entregar o mano? Não agora, né? Depois até pode ser.

O Pezão saiu de casa com os um ingresso em cada mão, e balançando-os! Desesperado, fiz sinal pra ele guardar os ingressos.

— O que foi, mano? — gritou ele. — Pirou de vez? O que você tá fazendo?

Tarde demais, a Maura viu o babaca do Pezão segurando os ingressos.

— FILHO DA PUTA!!!!

Meu, nunca vi alguém gritar "Filho da Puta" tão alto e com tanto gosto. Acho que o bairro inteiro ouviu.

— Corre, mano! Corre! — gritou o Pezão correndo como nunca vi antes.

Maura não estava mais na janela. Putz! Fedeu! Também corri atrás do Pezão, indo na direção do Gol vermelho prateado dele. Entramos desesperados no carro.

— Você é foda, cara. — eu disse, com o coração acelerado.

— Eu sei disso. — respondeu o Pezão, já engatando a marcha-ré. Depois olhou pra mim espantado.

— O que houve com a sua língua? — Pezão começou a rir.

Olhei no espelho retrovisor. Minha língua estava mais preta do que carvão.

— Seu irmão é um filho da puta, Pezão!!!

Pezão caiu na gargalhada, outro filho da puta.

Maura aparece na garagem, gritando histericamente:

— Você vai ver quando voltar, seu babaca! Vou ficar te esperando!

Pezão colocou sua mão esquerda para fora da janela e mostrou aquele famoso dedo para sua irmã.

A mãe do Pezão aparece na janela do quarto da Maura. Neste momento já estávamos atravessando o gramado em marcha-ré.

— Que zona é esta aqui no meu quintal? — gritou a mãe do Pezão.

— O puto do Maurício roubou os meus ingressos para o show do Rappa!

Tarde demais, Maura! Mega Music Night Club, aqui vamos nós! Pezão engatou a primeira, a segunda, a terceira e saímos cantando os pneus do Golzinho novo. Uhuuuuu! O sabadão promete!